Quinta, 16 Agosto 2018

Juatuba e Mateus Leme ainda sentem reflexos da greve dos caminhoneiros

Publicado em Geral Terça, 12 Junho 2018 13:37
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A greve nacional dos caminhoneiros durou 11 dias, deixando as cidades desabastecidas de diversos produtos, principalmente combustíveis. Motoristas do principal meio de transporte de cargas do país cobravam do governo federal redução no preço do diesel.

 

Após o movimento tomar maiores proporções e até ganhar o apoio de boa parte da população e de entidades empresariais, a categoria começou a fazer outras reivindicações, entre elas o fim da cobrança de pedágio pelos eixos suspensos e o frete rodoviário tabelado.

 

Em Juatuba, a mobilização começou na segunda-feira, 21 de maio, na BR-262, em ambos os sentidos. A pista chegou a ficar totalmente interditada, com apenas veículos de passeio liberados para transitar livremente. Na madrugada de quinta-feira, 24, a fila de caminhões parados na rodovia era quilométrica e os condutores controlavam o trânsito com cones.

 

O primeiro impacto da greve foi nos postos de combustíveis. Com receio do desabastecimento, motoristas se aglomeraram nos estabelecimentos, nos quais chegaram a ficar horas para conseguir encher os tanques. Na sequ- ência, a falta dos produtos afetou o funcionamento das linhas de transporte coletivo, inclusive intermunicipais; colocou em alerta as unidades de saúde e provocou a falta de alimentos, principalmente hortifruti, em supermercados. A Secretaria de Estado da Educação suspendeu as aulas em todas as escolas, e os Correios não conseguiram fazer a entrega das correspondências, provocando o atraso no pagamento de boletos.

 

Tanto moradores de Juatuba quanto de Mateus Leme apoiaram o movimento. Voluntários preparam comida e levaram para os manifestantes nas rodovias. Em Mateus Leme, houve mobilização até da comunidade católica, com o pedido de doações de gêneros alimentícios, água, cobertores e agasalhos, pela Paróquia de Santo Antônio, para ajudar os caminhoneiros.

 

Para tentar acabar com o caos instaurado em todo o país, o presidente Michel Temer prometeu reduzir em R$ 0,46 o preço do litro do diesel por 60 dias, com um custo previsto R$ 13,5 bilhões ao Tesouro Nacional. Após o período, com o produto mais barato, os reajustes serão feitos a cada 30 dias, para que transportadores de cargas consigam planejar melhor os custos.

 

Além disso, Temer anunciou três medidas provisórias, que têm força de lei e entraram em vigor imediatamente, pelo prazo de três meses. Mas, esses atos ainda dependem da aprovação do Congresso para que continuem valendo. As ações são referentes ao desconto no pedágio para eixos suspensos, a criação de uma tabela mínima do frete e reserva de mercado para autônomos.

 

Impactos na economia

 

Conforme informações do Boletim do Banco Central, divulgado na segunda-feira, 04, outra consequência da paralisação é a pressão sobre os preços. A estimativa do mercado para o índice oficial de inflação – IPCA -, em 2018, passou de 3,6% para 3,65%. Para pagar a conta da redução do preço do diesel, o governo anunciou que serão retirados recursos de programas sociais, do Sistema Único de Saúde –SUS –, e da Educação.

 

Estado de alerta

 

Desde terça-feira, 05, lideranças de caminhoneiros estão ameaçando promover uma nova greve da categoria, caso o Palácio do Planalto recue na decisão de tabelar o frete rodoviário, antiga e maior reivindicação da categoria.

 

“Se essa tabela cair, vai ter uma greve pior que a última. E aí não vai ter negociação, pois eles vão querer provar para o mundo que são os fortes. Será uma grande revolta”, alertou Ivar luiz Schmidt, do Comando Nacional do Transporte. Também seguiu na mesma linha o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros – Abcam, José da Fonseca Lopes. “Esperamos encontrar um denominador comum que não prejudique a classe. Caso contrário, podem esperar outra rebelião”, disse.

 

Falta gás de cozinha

 

nas distribuidoras Em Juatuba e Mateus Leme, a quantidade de botijões de gás de cozinha que está chegando, após a greve dos caminhoneiros, não é suficiente para atender toda a demanda. Em conversa com a reportagem, comerciantes do segmento em ambas as cidades afirmaram que a procura pelo produto tem sido grande. No entanto, as distribuidoras recebem poucas unidades e essas acabam rapidamente, impossibilitando o fornecimento a todos os clientes.

 

“Estão chegando pouquíssimos botijões. A situação está feia e vai demorar a regularizar. Está faltando no Brasil todo! Nós estamos muito preocupados com isso. A sorte é que consegui abastecer o Hospital antes da paralisação. Mas, garantir o produto para o consumidor comum em geral está muito difícil”, relatou Marco Antônio de Faria, mais conhecido em Mateus Leme como “Marquinho do Gás”. 

 

 

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