87 anos de Mateus Leme

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Acervo histórico, com documentos e fotografias, resgata a memória da cidade

Mateus Leme completou 87 anos de emancipação política na última quarta-feira (17) e, em meio às comemorações, um acervo particular chama a atenção por reunir registros que ajudam a contar como a cidade se formou e se transformou ao longo do tempo. O material pertence ao atual secretário municipal de Planejamento e Governo da Prefeitura de Itaúna, Marcus Júnior, que é morador da cidade desde que nasceu. O advogado, que também é um dos diretores do Instituto Corujinha, há anos se dedica a preservar documentos e imagens sobre o município.

O interesse pela memória local surgiu ainda na juventude. Marcus Júnior conta que tudo começou com uma fotografia antiga do centro urbano, quando as ruas ainda eram de terra. A imagem despertou a curiosidade sobre as origens da cidade. “Desde jovem, sempre tive interesse em ouvir as histórias e observar fotografias antigas da cidade”, conta.

A partir daí, vieram conversas com moradores antigos e familiares, que ajudaram a ampliar o olhar sobre fatos, personagens e costumes de outras épocas. “As conversas com amigos como o Sr. Wilman Salomão, Marcelino, Irene de Oliveira, Regina Alcântara, Moacirzinho, José Martins e, minha avó, Maria Corradi também sempre foram uma grande inspiração nessa busca por informações sobre a história local”, compartilha.

O acervo foi crescendo e hoje reúne fotografias, documentos oficiais, recortes de jornais, livros e registros ligados à vida política, religiosa e cultural de Mateus Leme. Há também cópias de documentos dos séculos XVII e XVIII, que ajudam a compreender o período em que a região ainda era tratada como arraial. “Cada item ajuda a construir um retrato mais completo da trajetória histórica do município ao longo das décadas”, destaca Marcus Júnior.

Entre os itens guardados, ele destaca documentos oficiais que citam Mateus Leme em seus primeiros registros históricos. “Eles representam o nascimento da cidade como a conhecemos hoje e simbolizam o esforço de muitas pessoas que contribuíram para o seu desenvolvimento”, pontua.

Esses materiais ajudam a entender o nascimento da cidade e a ligação com outros municípios da região. Cartas de Sesmarias revelam conexões com Betim, Itatiaiuçu e outras localidades. “O bandeirante Mateus Leme, que participou das expedições de Fernão Dias e Borba Gato, também esteve diretamente ligado à formação de povoados como Betim e Itatiaiuçu, entre outros”, revela.

Outro ponto que chama atenção no acervo é a história da Igreja Matriz de Santo Antônio. “Diferentemente da maioria das igrejas de Minas Gerais, ela não foi edificada por uma irmandade, mas sim a partir do esforço de uma única pessoa, possivelmente em agradecimento a uma graça alcançada”, conta.  O estilo arquitetônico, segundo Marcus Júnior, também foge do padrão regional, o que levanta a hipótese da participação de Aleijadinho em seu projeto.

O material também revela personagens importantes ligados à cidade e que ajudam a reforçar a importância do município na história de Minas Gerais. “Temos também um ex-Governador, Benedito Valadares, que tem o seu registro de nascimento em Mateus Leme”, revela.

Segundo Marcus Júnior, grande parte do acervo foi construída a partir de pesquisas no Arquivo Público Mineiro e outros itens foram doados por moradores que confiaram na importância da preservação da memória local. “Atualmente, o acervo conta com dezenas de itens, entre fotografias, documentos e registros diversos. Trata-se de um trabalho contínuo, que cresce a cada ano, sempre com muito cuidado na organização e preservação desse material”, ressalta.

Marcus Júnior afirma que o objetivo sempre foi compartilhar o acervo e que a ideia é organizar o conteúdo, aprofundar os estudos e, no futuro, lançar um livro sobre a história de Mateus Leme. Também há planos para exposições abertas ao público: “há o planejamento de promover mostras para que a população possa conhecer e valorizar ainda mais essa história”, diz.

Para o colecionador, o acervo mostra que Mateus Leme é fruto do trabalho, da fé e da união de seu povo. “Preservar essas memórias é essencial para que as futuras gerações compreendam suas origens, valorizem sua identidade e continuem construindo o futuro com respeito à história”, pontua. “Conhecer o passado é fundamental para planejar um amanhã ainda melhor para a cidade”, conclui.

A história de Mateus Leme

A formação de Mateus Leme começou no início do século XVIII, período marcado pela chegada de bandeirantes paulistas à região em busca de ouro e pedras preciosas. O nome da cidade faz referência ao bandeirante Mateus Leme, responsável por liderar atividades de exploração entre os anos de 1715 e 1717.

O chamado Morro de Mateus Leme, citado em documentos de 1710, deu origem ao arraial que se desenvolveu a partir da atividade mineradora. Ao longo do século XVIII, o local não chegou a ser elevado à condição de freguesia, mas manteve importância econômica e cultural para a região.

Com o enfraquecimento da mineração, a base econômica passou por mudanças. A agricultura e a pecuária ganharam espaço e sustentaram o crescimento da comunidade nos anos seguintes.

Em 1832, foi criada a freguesia de Santo Antônio do Morro de Mateus Leme. A partir daí, o território passou por diferentes reorganizações administrativas até alcançar a emancipação política em 1938.