Nos últimos anos, a vacinação no Brasil tem enfrentado oscilações na adesão da população, especialmente após a pandemia de COVID-19. Em diversas cidades, apesar do esforço para alcançar as metas do Calendário Nacional de Vacinação, o principal desafio tem sido a baixa adesão da população nas campanhas que são desenvolvidas pelas secretarias municipais.
Em Juatuba e Mateus Leme, não é diferente. Segundo o Secretário de Saúde de Mateus Leme, Wagner Barbalho, a cobertura vacinal varia de acordo com o tipo de imunobiológico. Enquanto algumas vacinas, como BCG e tríplice viral, estão próximas das metas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, outras ainda apresentam índices abaixo do esperado.
Segundo ele, a última campanha de vacinação no município foi realizada entre abril e maio deste ano. “Os grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, como idosos, gestantes, crianças menores de cinco anos, trabalhadores da saúde e pessoas com comorbidades apresentaram uma procura abaixo do esperado”, explica.
No entanto, houve baixa adesão. A próxima campanha está programada para outubro, com a expectativa de maior interesse por parte da população.
Segundo o secretário, diversos fatores podem ter contribuído para esse desempenho. “Tanto a baixa percepção de risco por parte da população, a desinformação relacionada à eficácia da vacina, a ausência de sintomas gripais mais graves nos anos anteriores podem refletir a baixa adesão”, pontua.
Como exemplo, a vacina contra a COVID-19 tem sido um ponto crítico: a cobertura está significativamente abaixo das metas.
De acordo com a prefeitura, Mateus Leme não registrou surtos de doenças evitáveis por vacinas nos últimos anos. No entanto, o município registrou casos isolados de sarampo em 2024. “. Em resposta, o município realizou monitoramento ativo das cadernetas de vacinação, reforçando a vigilância epidemiológica”, destaca Wagner Barbalho.
No município, todas as unidades de Atenção Primária à Saúde estão aptas a vacinar, funcionando de segunda a sexta-feira das 7h30 às 15h30. De acordo com Wagner, três delas oferecem horário estendido até as 20h em dias alternados.
Já nas áreas rurais e de difícil acesso, a vacinação é feita pelas equipes de referência, mas enfrenta limitações devido à falta de transporte próprio. Para aumentar a frequência dessas visitas, a planeja o retorno do “Vacimóvel”. “É considerado uma das prioridades para ampliar o acesso”, reforça Wagner.
Juatuba: cobertura acima de 100% em algumas vacinas, mas desafios em outras
Juatuba também enfrenta desafios na adesão, no entanto, surpreendentemente, o município tem apresentado excelente resultados na demanda por alguns imunizantes. Dados da Secretaria de Saúde revelam que algumas vacinas superaram 100% de cobertura — o que ocorre quando a população vacinada inclui pessoas de fora do município ou quando há atualização tardia de registros. Como exemplos, o BCG (108,07%), tríplice viral 1ª dose (106,83%), hepatite B (<1 ano) com 111,18% e meningocócica C 1º reforço (105,59%).
Por outro lado, outros índices preocupam a Secretaria de Saúde do município. A vacinação de poliomielite registrou (87,58% para menores de 1 ano), febre amarela (78,88% para menores de um ano), varicela (70,19% para maiores de um ano) e, especialmente, na COVID-19 para menores de 1 ano, teve apenas 4,97% de cobertura.
Segundo o Secretário de Saúde de Juatuba, Gustavo Lopes, a vacinação contra a influenza iniciou com boa procura, mas a falta de doses em nível estadual reduziu o ritmo. Assim como Mateus Leme, Juatuba também registrou surtos recentes de doenças imunopreveníveis. No entanto, a Secretaria reconhece que a vacinação infantil está abaixo do esperado. “Percebemos uma cobertura menor em relação à várias vacinas em crianças menores de 1 ano”, declara o Secretário. “As equipes de Saúde da Família estão realizando busca ativa para atualização da situação vacinal e também para transcrição de cadernetas de moradores recentes no município”, completa.
Para atender a demanda, Juatuba conta com 13 Unidades Básicas de Saúde, sendo que 12 oferecem vacinação diariamente e uma realiza a aplicação apenas às sextas-feiras, por não dispor de câmara fria.
Para alcançar áreas remotas, a prefeitura iniciou nesta semana a campanha de vacinação com o “Vacimóvel”, que irá percorrer diversas regiões até o dia 25. “Além disso, equipes de saúde realizam visitas domiciliares e vacinam acamados e cuidadores”, explica Gustavo Lopes.
Assim como Mateus Leme, Juatuba também tem investido em ações de conscientização que incluem divulgação em redes sociais, encartes espalhados pela cidade e informação porta a porta feita pelos Agentes Comunitários de Saúde. Ainda assim, o Secretário destaca que a percepção da população sobre a importância sobre a imunização, ainda é um desafio. “Observa-se que desde a pandemia da COVID 19 houve certo descrédito da população em relação às vacinas, devido às fake News”, relata.






