Mateus Leme inaugura um novo capítulo de sua história com a substituição da ponte central por um viaduto que, em justa homenagem, levará o nome de José Diniz, conhecido como “José do Horácio”. Mais do que uma estrutura que liga caminhos, o novo viaduto simboliza a vida de um homem que ajudou a construir, literalmente, os alicerces da cidade.
Nascido em 1918, em Mateus Leme, José do Horácio cresceu em meio às tradições da terra que nunca deixou. Em 1949, casou-se com Terezinha Araújo Diniz, a Dona Tatá, com quem construiu uma vida marcada pela simplicidade e pelo amor à família. O casal viveu por mais de 15 anos no povoado dos Laranjos, onde nasceram cinco filhos: José Araújo, Odilon, Ildeu, Hélio e Paulo. Mais tarde, já de volta à sede do município, veio ao mundo a caçula, Aparecida. Foi na rua Serra Azul que fixaram raízes, em uma época em que a vizinhança ainda era escassa.
José do Horácio não foi apenas morador: foi um construtor de Mateus Leme. Com seus carros de boi, transportava pedras e materiais para obras fundamentais da cidade, como a antiga Cooperativa e escolas que até hoje fazem parte da memória local. Em um tempo em que automóveis eram raros, sua força de trabalho movia a cidade.
Durante mais de 30 anos, atuou na Mineração Mateus Leme e, ao lado dos filhos, cruzava diariamente a ponte antiga — a mesma que agora dá lugar ao viaduto que leva seu nome. Foi nesse ambiente de dureza e muito trabalho que ensinou aos cinco filhos homens o valor da honestidade, do trabalho e da dignidade.
Fora do trabalho, José do Horácio tinha outra grande paixão: a cavalhada, manifestação cultural que ele ajudou a manter viva e que transmitiu aos netos. Três deles — Pedro, João e Matheus Diniz — continuam seu legado, levando adiante o amor pelas tradições de Mateus Leme.
Conhecido pela integridade e boa conversa, José do Horácio faleceu em 2002, aos 84 anos. Deixou a esposa, filhos e netos, e também um legado de quem ajudou a construir a história de Mateus Leme.






