Pintura, desenho e argila para crianças: a arte de Cristina Afro na Casa de Cássia

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Em um mundo com pressa, a professora Cristina Fonseca, também conhecida como Cristina Afro, convida a parar, olhar e criar. Com pincéis, argila e afeto, a educadora de 61 anos tem levado cor, forma e alegria para crianças e jovens de Mateus Leme. Voluntária na Casa de Cássia – Casa de Cultura do município, ela acredita no poder das pequenas coisas: um desenho, uma escultura de barro, um momento de atenção. Seu trabalho silencioso é um presente para a cultura local.

Nascida em Belo Horizonte, Cristina cresceu em Contagem, em uma família unida no Conjunto Fonte Grande. Sua infância foi simples e feliz, marcada por valores que carrega até hoje: honestidade, organização e a importância de viver bem em comunidade. O gosto pela arte veio de berço. “Minha mãe gostava muito de criar roupas diferentes e eu sempre gostei de pintura. A convivência com ela, desde cedo contribuiu para eu no futuro gostar de artes”, conta.

Antes de se tornar professora, Cristina foi artesã. Fez colares, pulseiras e brincos, aprendendo na prática o valor de criar com as próprias mãos. Mas foi na educação que encontrou sua verdadeira vocação. Começou dando oficinas de artes em 2007, na Escola Estadual Maria de Salles, em Contagem, quando estava concluindo sua graduação. Foi ali que uma colega, a professora Santa Santos, olhou para seu trabalho e disse: “Você é uma artista”. A frase ecoou e a encorajou a seguir adiante.

Não demorou para que a sala de aula se tornasse seu palco principal. Formada em Pedagogia (2011) e em Artes Visuais (2020), com duas pós-graduações na área, Cristina passou a lecionar oficialmente como professora de artes para turmas do fundamental e do ensino médio. Suas aulas iam muito além da pintura: incluíam música, teatro e dança. “O desafio é descobrir o que emociona cada aluno”, explica. E, pela receptividade, parece que ela consegue.

Há quatro anos morando em Juatuba, após o falecimento de sua mãe, Cristina enxerga com carinho – e um pouco de preocupação – a cena cultural das duas cidades onde vive e trabalha. Para ela, falta iniciativa e participação popular. “A Casa de Cultura de Mateus Leme tem espaço, mas o povo não aparece”, observa.

Foi justamente para mudar um pouquinho essa realidade que ela aceitou o convite para ser voluntária na Casa de Cássia, em dezembro de 2024. Aos domingos, ensina pintura, desenho e argila para crianças. De graça, por amor. “A maioria gosta muito”, comenta, com simplicidade.

Seu sonho? Realizar uma oficina gratuita para crianças da região. Para isso, só precisa de um apoio básico: que a prefeitura forneça os materiais. É um desejo modesto, mas que poderia fazer grande diferença. “Meu desejo é realizar uma oficina gratuita de argila para as duas cidades: Juatuba e Mateus Leme”, finaliza.