“Já se passaram mais de seis anos dessa tragédia que tirou 272 vidas e deixou marcas profundas em diversas cidades, incluindo Juatuba, que ainda aguardam a devida reparação. Seguimos firmes, cobrando justiça, respeito e resultados concretos para a nossa gente”.
Juatuba e Mateus Leme marcaram presença em audiência pública realizada na última terça-feira (16), em Brasília, para cobrar mais agilidade na execução das obras e serviços previstos no Acordo Judicial de Reparação da tragédia de Brumadinho. O encontro, promovido pela Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, discutiu os investimentos destinados à recuperação das áreas e comunidades atingidas, seis anos após o rompimento da barragem da Vale.
A reunião foi convocada a partir de requerimento do deputado federal Diego Andrade (PSD-MG), que abriu os trabalhos ressaltando a necessidade de mais transparência e eficiência na aplicação dos bilhões acordados. Segundo ele, passados seis anos, ainda existem municípios que não receberam sequer obras básicas de saneamento e abastecimento de água.
“Não é aceitável que, depois de tantos bilhões anunciados, comunidades como Juatuba e São José da Varginha ainda convivam com a falta d’água e a ausência de esgoto tratado. O básico não chegou, e é isso que estamos cobrando: soluções simples, concretas e urgentes”, afirmou o parlamentar.
Participação dos municípios
O prefeito de Juatuba, Ted Saliba, esteve presente acompanhado dos vereadores Rafinha, Ivanzinho Roda D’Água, Cassiano, Wilk Fernando, Renan Campos e Léo da Padaria. Já Mateus Leme foi representada pelo prefeito Dr. Renilton Coelho. Eles se juntaram aos prefeitos Gabriel Parreiras (Brumadinho) e Bonaparte (Maravilhas), além de vereadores de Esmeraldas, lideranças locais, representantes do governo estadual, do Ministério Público, da Defensoria Pública, do Tribunal de Justiça, da Vale e do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba.
Em sua fala, o prefeito Ted Saliba destacou que a população de Juatuba ainda enfrenta problemas sérios de infraestrutura, em especial de pavimentação. “Estamos passando por um período de muita poeira, e isso é um sofrimento para todos. Os alunos chegam às escolas com os uniformes sujos, e as famílias vivem essa realidade diariamente. Precisamos remanejar os recursos para que possam ser aplicados em obras concretas que aliviem esse sofrimento”, afirmou.
Pelas redes sociais, ele reforçou a cobrança: “Já se passaram mais de seis anos dessa tragédia que tirou 272 vidas e deixou marcas profundas em diversas cidades, incluindo Juatuba, que ainda aguardam a devida reparação. Seguimos firmes, cobrando justiça, respeito e resultados concretos para a nossa gente”.
O prefeito Renilton Coelho também alertou para a lentidão das obras previstas para o município. Ele tem defendido que a reparação seja acelerada, priorizando saneamento, pavimentação e serviços que impactem diretamente o dia a dia da população.
Voz dos vereadores
Os vereadores de Juatuba aproveitaram a oportunidade para reforçar as demandas locais. Wilk Fernando afirmou que a população sofre há anos com a poeira no período seco e a lama durante as chuvas. “Nossa comunidade convive há anos com a poeira na seca e com a lama nas chuvas, sofrendo com a falta de infraestrutura e a sensação de abandono. Enquanto isso, recursos já garantidos pela Vale, fruto dos acordos firmados, ainda não foram transformados em melhorias concretas”, disse.
O vereador Cassiano também foi enfático: “Participamos de reunião para cobrar a destinação e execução dos recursos oriundos do crime da Vale em Brumadinho. Até o momento, Juatuba não recebeu obras concretas que representem reparação efetiva”.
Já Léo da Padaria destacou a situação crítica da comunidade da Ponte Nova, às margens do Rio Paraopeba. “Até hoje não providenciaram o abastecimento de água da Copasa naquela região. É uma pendência grave e que precisa ser resolvida com urgência”, afirmou.
Além da falta de obras básicas, o encontro também tratou de questões ambientais. Em Esmeraldas, foi registrada recentemente mortandade de peixes no Rio Paraopeba, o que gerou preocupação sobre a qualidade da água e os impactos sobre a fauna e a agricultura. Juatuba também teve registros. Outro tema citado foi o risco associado ao acúmulo de rejeitos a seco, que ainda exige atenção e medidas de segurança.
O deputado Diego Andrade criticou a burocracia que atrasa a liberação de projetos e os custos elevados das obras orçadas pela Vale, sem consulta efetiva aos prefeitos. Ele lembrou que, em contraste, Pará de Minas conseguiu avançar ao receber uma adutora de 52 km, mas destacou que outras cidades seguem sem soluções semelhantes.
Prefeitos e vereadores defenderam que os municípios sejam protagonistas na aplicação dos recursos, com acompanhamento e fiscalização dos órgãos competentes. Para eles, apenas com protagonismo local será possível garantir que os investimentos atendam às necessidades reais das comunidades. O prefeito de Juatuba, Ted Saliba disse destacou a necessidade de a prefeitura remanejar esse dinheiro para execução de obras básicas no município”, disse.
Ao final da audiência, o deputado Diego Andrade afirmou que o encontro não teve caráter de ataque às instituições ou à empresa, mas de cobrança por resultados. “Queremos ver o recurso chegar a quem mais precisa. Não podemos admitir que seis anos depois da tragédia, famílias ainda convivam com a lama, com a poeira do minério e com a falta do essencial. Nosso compromisso é seguir acompanhando cada etapa e, se necessário, levar novamente o tema ao plenário da Câmara ou até abrir uma nova CPI”, concluiu.






