Pédro Pedrósa: a trajetória do violonista de Mateus Leme

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A música para Pédro Pedrósa, artista de Mateus Leme, nunca foi apenas um passatempo e, desde pequeno, ela se revelou como um chamado, uma forma de se expressar e de construir caminhos. Hoje, aos 38 anos, o artista é reconhecido por sua atuação como cantor, instrumentista, compositor e professor, unindo paixão, técnica e sensibilidade.

Nascido e criado em Belo Horizonte, Pédro encontrou desde cedo um ambiente familiar que o incentivava a explorar sua criatividade. Sua mãe atua na área da saúde bucal e seu pai no ramo de plantas decorativas. “Sempre tive incentivo para as artes dentro de casa. Minha mãe conta que, desde muito pequeno, eu já gostava de música e ficava animado em frente à televisão”, relembra. Uma cena marcante da infância resume esse início: um brinquedo transformado em microfone e a janela de casa como palco para cantar para quem passava na rua.

Outra figura decisiva foi Maria Lúcia Beltrão, sua tia de coração. “Ela sempre foi muito ligada às artes e foi uma das minhas grandes incentivadoras”, conta o músico.

Atualmente, Pédro vive em Mateus Leme com a esposa, Eliane, e o filho. A família não apenas o apoia, mas também participa da caminhada artística. “Eu e minha esposa já fomos finalistas em festivais da canção, como o Canta Juá em 2024. Já nos apresentamos juntos e até nosso filho, em alguns momentos, participa”, relata orgulhoso.

 O primeiro violão e a descoberta da música

O ponto de partida veio com um violão que pertencia ao pai, que ele começou a tocar quando tinha oito anos. Com ele, vieram as primeiras aulas de música com a professora Maria, uma multi-instrumentista que lhe apresentou noções de leitura musical e partitura. “Foram só oito meses de estudo, mas isso me ajudou muito no futuro”, lembra.

A adolescência ampliou seu universo musical. O rádio, os CDs colecionados pelos pais e até um pandeiro improvisado com tampinhas de garrafa ajudaram a moldar sua curiosidade. “Aprendi a tocar observando os outros. Era muito da observação e da vontade de fazer acontecer.”

Aos 15 anos, voltou às aulas de violão e, na mesma época, conheceu o projeto Tambolelê, no Centro Cultural da UFMG, onde mergulhou na percussão, bateria, canto e teatro. Também participou de um coral comunitário, sendo o integrante mais jovem. “Foi uma fase muito rica, cheia de descobertas”, destaca.

Outro grande incentivo foi a bolsa conquistada na Fundação de Educação Artística, onde estudou por três anos e participou do grupo instrumental Marimbondo. A base sólida o levou a ingressar no curso de Educação Musical Escolar na Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), onde permaneceu entre 2006 e 2012.

Na universidade, integrou grupos de chorinho, desenvolveu-se no cavaquinho e participou de projetos variados. Depois, vieram os grupos Outra Freguesia e Quê Que Tem Zé, este último com atuação por cerca de oito anos, participação em festivais e programas de TV, além do lançamento do CD autoral Serenô.

“Com o Quê Que Tem Zé, vivi uma fase muito intensa. Tocamos em vários lugares, participamos de festivais importantes e gravamos programas de televisão. Foi uma experiência transformadora”, afirma.

A pluralidade de Pédro se reflete no repertório de influências: de Legião Urbana a Geraldo Azevedo, de João Nogueira a Djavan, de chorinho a samba de raiz, passando por artistas mineiros como Maurício Tizumba, Sérgio Pererê e Vander Lee.  “Minha música está muito ligada ao samba de raiz e à MPB, mas gosto de trazer releituras e de buscar uma interpretação pessoal”, explica.

Mateus Leme, Juatuba e o cenário regional

Morando em Mateus Leme desde 2021, Pédro Pedrósa mergulhou aos poucos na cena cultural local. “Conheci a Casa de Cássia, os projetos musicais da cidade, a Banda Municipal, a Biblioteca, a Mostra de Cinema e artistas plásticos fantásticos. Foi um reencontro com a cultura em plena pandemia”, comenta.

Na região, se apresentou em momentos marcantes: a reabertura da Casa de Cassia em 2023, o Festival de Inverno em 2024, o Circuito DANDÔ e o Canta Juá, em Juatuba. Além disso, foi contemplado por editais como a Lei Paulo Gustavo e a Lei Aldir Blanc, desenvolvendo projetos de ensino e apresentações musicais em escolas.

Além de cantor e compositor, Pédro atua como professor particular desde 2006. Para ele, ensinar música é tão importante quanto subir ao palco. “A música é uma grande ferramenta de sensibilização, disciplina, autoestima e criatividade. Vejo muitos jovens interessados, mas é preciso haver oportunidades de aprendizado”, defende.

Atualmente, seus principais projetos envolvem aulas de violão e voz, além de dois shows em circulação: Canções da MPB e Samba, Choro e Balanço.

O maior desafio, segundo ele, ainda é a valorização do trabalho do músico. “É natural pagar caro por uma consulta médica ou um conserto mecânico, mas quando se trata de música, especialmente aulas, o mesmo reconhecimento não acontece. Isso é cultural e precisa mudar”, observa.

Mas Pedro segue firme em seus objetivos e, cada experiência no circuito cultural, é uma oportunidade para elevar a cultura da região.   “Gosto muito de participar de festivais. A experiência é sempre muito boa e abre portas para novas conexões”, diz.

Quem quiser acompanhar o trabalho de Pédro Pedrósa pode encontrá-lo nas redes sociais e em plataformas digitais como Instagram e YouTube pelo perfil @pedropedrosamusico. “Minha inspiração vem do cotidiano, das relações e de sentimentos guardados. Mas, às vezes, surge de onde não sei explicar”, conclui.