Em Mateus Leme, uma iniciativa cultural vem mudando a rotina de crianças, jovens e adultos há mais de uma década. A Associação Arte, Cultura e Fantasia (ACF) nasceu de um sonho pessoal que se transformou em projeto coletivo e hoje é referência em formação artística, inclusão social e fortalecimento da identidade cultural do município.
A história da ACF está diretamente ligada à trajetória de sua presidente, Mônica Moreira. Natural de Mateus Leme, ela cresceu em um ambiente em que valores como solidariedade e compromisso com a comunidade eram ensinados em casa. “Aprendi muito com os meus pais o valor de ajudar as pessoas, de tornar a cidade melhor, de fazer um tipo de trabalho com que todos possam se sentir melhores. Desde pequena, eu tinha esses sonhos de projeto social, de criar situações para ajudar aqueles que realmente necessitassem”, conta.
Esse espírito comunitário resultou primeiro na criação da Cavalhada Feminina de Nossa Senhora Aparecida. A tradição secular, encenação histórica que representa a luta entre cristãos e mouros, fazia parte do calendário religioso e cultural da cidade, com a tradicional Cavalhada de Santo Antônio. Antes limitada apenas à participação dos homens, ao ganhar a versão feminina, a cerimônia ganhou destaque na imprensa estadual e chegou a ser considerada patrimônio cultural do município.
Com o crescimento do evento, surgiu a necessidade de organizar outras atividades culturais. Assim, em 2009, nasceu a Associação Arte, Cultura e Fantasia, que se consolidou como espaço de promoção da arte e da educação. A partir daí, a organização ampliou as ações e passou a oferecer oficinas de música, teatro, dança e artes integradas.
Hoje, a ACF atende cerca de 150 crianças, adolescentes e adultos, com atividades que vão desde a musicalização infantil, a partir dos três anos, até cursos profissionalizantes para jovens e adultos, como fotografia e barbearia. “Nosso objetivo é abrir caminhos, despertar talentos e dar oportunidades. Muitos dos nossos monitores começaram como alunos da associação e hoje são professores que repassam o que aprenderam para as novas gerações”, explica a presidente.
Entre as oficinas mais procuradas estão as de percussão, orquestra de sopro, coral e dança. A associação também mantém um time de futsal feminino e a quadrilha Alvorecer da CF, que se apresenta em festas juninas e eventos culturais. Além disso, promove ensaios abertos, apresentações públicas e mantém a tradição de manifestações populares como a folia de reis e a guarda de congo.
A programação da ACF ao longo do ano inclui eventos que já fazem parte do calendário cultural da cidade, como a quadrilha em julho, o encontro de folias de reis em outubro, o festival das oficinas em novembro e a tradicional cantata de Natal em dezembro.
Sede própria
Outro destaque é a viagem cultural anual, quando alunos e monitores visitam cidades históricas, conhecem museus, aprendem sobre o patrimônio local e se apresentam em praças e espaços públicos. Já estiveram em Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, Diamantina, Ipatinga, entre outras cidades, além de palcos importantes de Belo Horizonte, como a Praça da Liberdade e o Palácio das Artes.
Um marco recente da associação foi a conquista da sede própria, inaugurada em outubro de 2024. Localizado no bairro Santa Luzia, o espaço permite concentrar todas as atividades em um mesmo endereço, depois de anos em que ensaios e oficinas eram realizados em locais emprestados. “Antes ensaiávamos em escolas, igrejas e até mesmo na rua. Ter uma casa própria é a realização de um sonho coletivo”, celebra a presidente.
O novo espaço também abre portas para projetos futuros. A ACF planeja montar um estúdio para podcasts e jornais interativos. Outro desafio é a implementação de um centro de convivência para a terceira idade, em fase de planejamento.
Além do impacto cultural, a associação tem reconhecimento institucional. Já foi semifinalista de premiação da UNICEF, entre quase dois mil projetos inscritos, e mantém parcerias com escolas estaduais e municipais. A formação de novos artistas é um dos legados mais importantes: muitos ex-alunos hoje são músicos da banda municipal ou professores de música e dança.
A dedicação da equipe é um dos segredos do sucesso. Atualmente, cerca de 20 monitores e educadores participam das atividades, a maioria de forma voluntária. “Eles são apaixonados pelo que fazem e isso faz toda a diferença. A gente percebe que não é apenas ensinar música ou dança, é criar vínculos, fortalecer valores e formar cidadãos mais conscientes”, destaca a dirigente.
As ações educativas vão além das oficinas. A associação promove reuniões periódicas com pais, exibe sessões de cinema comentadas e organiza treinamentos para monitores, com o objetivo de integrar família e comunidade no processo de aprendizagem. “Nosso trabalho é formar pessoas. A arte é o caminho, mas o objetivo maior é transformar vidas”, resume a presidente.






