A população de Juatuba convive há anos com um problema que parece não ter fim: a constante falta de água em diversos bairros da cidade. O drama, que se repete de forma quase rotineira, voltou ao centro das atenções nesta semana, durante reunião da Câmara. Os vereadores, mais uma vez, deram voz às reclamações de moradores e cobraram respostas da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), responsável pelo serviço.
O estopim para a discussão foi a sequência de denúncias recebidas pelos parlamentares ao longo dos últimos dias. Segundo relataram, bairros inteiros ficaram sem abastecimento no final de semana, gerando revolta, transtornos e, em alguns casos, situações desesperadoras.
O vereador Wilk Fernando, que abriu o debate, lembrou que já havia se comprometido a levantar dados concretos sobre o problema, reunindo protocolos de reclamações e registros formais dos moradores. “Fiz o meu papel. Levantei os dados, está tudo registrado com nomes e protocolos. Agora só estou aguardando a audiência pública com a Copasa para confrontarmos esses números e cobrarmos uma solução. Mais uma vez, tivemos final de semana com bairros como Francelinos, Boa Vista, Canaã, São Jerônimo e Samambaia sem água. A população precisa de explicações”, disse.
Na sequência, o vereador Léo da Padaria também manifestou indignação. Ele relatou ter recebido diversas mensagens de moradores do bairro São Jerônimo, incluindo vídeos que comprovam a ausência de abastecimento. “É uma falta de respeito muito grande. Se existe algum tipo de racionamento, a Copasa tem obrigação de informar à população. O que não pode é simplesmente deixar as pessoas sem água, sem qualquer aviso. Tem morador que chega do trabalho, precisa da água para suas atividades ou mesmo para tomar banho, e encontra a caixa vazia”, criticou.
Léo foi além e levantou suspeitas sobre cobranças indevidas nas contas. Ele relatou a taxa de uso hídrico de R$ 0,17 e outra, referente ao esgoto, de R$ 0,32, cobradas em milhares de ligações. “Pode parecer pouco, mas multiplicando por mais de 30 mil ligações, é um valor significativo. Precisamos verificar se isso está previsto em contrato. Se for irregular, cabe até acionar o Ministério Público. Já pagamos caro pela água, não podemos aceitar cobranças adicionais sem justificativa”, afirmou.
O vereador também reclamou da demora da Copasa em reparar buracos abertos nas ruas após manutenções. “São dez dias prometidos e o serviço demora ainda mais. Enquanto isso, os buracos continuam abertos, prejudicando o trânsito e a segurança dos moradores. É um descaso total”, reforçou.
A fala foi acompanhada de perto por outros parlamentares, que confirmaram a gravidade da situação. Ivanzinho do Roda Dágua relatou que, no bairro Jardim Leme, moradores passaram seis dias sem água. Segundo ele, a situação só foi amenizada após intervenção da prefeitura, que acionou um caminhão-pipa para abastecer as residências. “Acompanhamos o caminhão de casa em casa, usando mangotes para encher as caixas. As pessoas estavam em desespero, sem água para beber ou para as necessidades básicas. É um caos e não podemos aceitar que Juatuba continue assim”, declarou.
Na mesma linha, Renan Campos disse ter reunido mais de 25 protocolos de reclamações de bairros como Parque Alvorada, Canaã e Nova Dois. Ele saientou ainda a dificuldade de atendimento na própria sede da Copasa na cidade. “Estive lá e havia uma plaquinha escrita ‘sem internet, sem atendimento’. É inaceitável. Estamos falando de um serviço essencial, e a Copasa sequer estrutura o atendimento ao cidadão. Ficar sem energia já é complicado, mas sem água é desumano”, disse o vereador.
A vereadora Rafinha também se somou às críticas, relatando ter sido procurada por moradores do bairro Canaã. Ela destacou que, além da interrupção, não há qualquer previsibilidade no retorno do abastecimento. “Ontem mesmo recebi ligações de uma moradora que relatou a água chegando às sete da manhã, mas acabando de novo às onze da noite. Pagamos caro para abrir a torneira e não sair nada. É injusto com a população”, disse.
Cassiano engrossou o coro, classificando a situação como “uma vergonha”. Ele reforçou a necessidade de medidas mais firmes contra a empresa, inclusive avaliando alternativas de gestão do serviço. “Todos os dias somos cobrados. A Copasa precisa ser responsabilizada e, se for o caso, que se estude outra forma de garantir o abastecimento”, afirmou.
Ruas danificadas
Wilk Fernando voltou a se pronunciar para destacar que os problemas não se limitam à falta de água. Ele lembrou que a Copasa também foi responsável por danificar ruas importantes, como a Belo Horizonte, em Francelinos. “Era uma das melhores vias do bairro Eldorado e hoje está destruída. Dei prazo de quinze dias para uma resposta e, se não houver solução, vou acionar o Ministério Público. Essa luta não é minha, é de todos nós vereadores, porque fomos eleitos para representar o povo. Não podemos ser omissos”, disse.
O vereador ainda destacou a importância de unir forças com outras cidades que enfrentam o mesmo problema. Ele citou a iniciativa do prefeito Dr. Renilton Coelho, em Mateus Leme, que acionou a justiça contra a Copasa. “Se outros municípios estão tomando providências, Juatuba também precisa agir. Ser omisso é desrespeitar o voto da população. Nossa cobrança não é contra os funcionários, mas contra a empresa, que deve explicações à cidade”, concluiu.






