Em novembro, corporação vai participar do Encontro de Bandas no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte
Fundada na década de 1920, a Banda Municipal de Mateus Leme é daquelas instituições que atravessam gerações e resistem ao tempo, sempre mantendo viva a paixão pela música. A tradição, que completou 104 anos, educa e conecta gerações do município. Sua origem remonta à antiga Lira de Santo Antônio, criada por Francisco Abreu Vasconcelos, com o apoio da comunidade, que promovia eventos culturais para arrecadar fundos e adquirir instrumentos. O primeiro presidente foi o Antônio Pereira Guimarães, um entusiasta da cultura local. Mais tarde, o grupo recebeu o nome de Corporação Musical Santo Antônio, até adotar a denominação atual, em 1991. Três anos depois, em 16 de novembro de 1994, veio o reconhecimento oficial: a Banda foi declarada de utilidade pública municipal.
O prestígio só aumentou com o tempo. Em março do ano passado, a Câmara Municipal reconheceu a Banda como patrimônio cultural e imaterial da cidade. O título teve como objetivo destacar a importância histórica, social e artística dessa verdadeira guardiã da memória musical de Mateus Leme. Hoje, são cerca de 40 integrantes divididos em naipes de sopro, percussão e metais.
Presidida atualmente por Jozele Seno, a banda tem, há duas semanas, uma nova liderança musical. À frente do grupo está o maestro Iago Mascarenhas, que iniciou sua trajetória dentro da Corporação. Ele aprendeu, se formou, acumulou experiências e, com dedicação, assumiu a regência da banda. Sob sua batuta, o grupo se mantém firme na missão de formar músicos e encantar plateias.
E é na formação que a Banda Municipal faz toda a diferença. As aulas de música oferecidas a novos integrantes são organizadas em grupos ou de forma individual, com professores especializados em cada instrumento. Esse cuidado garante não apenas qualidade técnica, mas também um aprendizado sólido e abrangente. “Esse trabalho pedagógico é um dos grandes diferenciais da banda, pois muitos ex-integrantes se tornaram profissionais e professores renomados, levando o nome de Mateus Leme para além das fronteiras da cidade”, diz Jozele Seno.
A longevidade da banda também se explica pelo apoio que recebe. Nos últimos anos, a administração municipal tem se mostrado parceira: assegura recursos para transporte, manutenção de instrumentos e uniformes, além de contribuir para o financiamento de suas atividades. A grande meta, no entanto, ainda é a conquista de uma sede própria. “O novo espaço permitirá melhores condições para os ensaios e para a formação dos músicos”, explica a presidente.
Parcerias e incentivo
Além do apoio público, a banda também busca parcerias, patrocínios e realiza eventos para arrecadação de fundos. O objetivo, segundo Jozele, é fortalecer a autonomia e capacidade de expansão do papel da banda na vida comunitária, que tem sido imenso. Ela não é apenas uma escola de música; é um espaço de convivência, disciplina e integração, especialmente para os jovens que encontram ali uma oportunidade de aprendizado e pertencimento. “Além de escola de formação de jovens músicos, espaço de convivência e disciplina, e também guardiã das tradições cívicas, religiosas e culturais da cidade, sempre presente em procissões, desfiles, festividades e atos oficiais”, destaca.
Com uma trajetória já consolidada no circuito cultural mineiro, a corporação musical construiu sua reputação através de participações marcantes em festivais e encontros de bandas por todo o estado. Essas apresentações não apenas renderam reconhecimento pela qualidade artística e disciplina de seus músicos, mas também fortaleceram a rede de intercâmbio cultural em Minas Gerais. “Esses eventos, além de promoverem a cultura, são importantes pontos de encontro entre corporações musicais de várias cidades, fortalecendo os laços entre os músicos e a tradição musical do estado”, ressalta Jozele.
E o próximo compromisso já tem data marcada: no próximo dia 22 de novembro, a Banda Municipal de Mateus Leme participará do Encontro de Bandas no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte. A expectativa é grande entre os integrantes: “O evento promete ser um dos mais marcantes da trajetória recente da Corporação”, comemora a presidente.
Para além dos palcos, manter viva a memória e a identidade cultural de uma cidade é uma tarefa que envolve toda a comunidade. Jozele Seno enfatiza que apoiar a banda vai muito além de assistir a apresentações: “A comunidade pode apoiar a Banda Municipal de Mateus Leme comparecendo aos concertos, participando dos eventos, incentivando os jovens músicos e, sobretudo, valorizando a importância cultural e histórica dessa instituição quase centenária, que é patrimônio vivo da cidade”, finaliza.






