Alex Araújo: a irreverência da Banda Brasília Amarela no tributo aos Mamonas

0
153

Aos 41 anos, Alex Araújo é o tipo de artista que carrega no peito o som das cidades onde viveu e o legado de um pai que lhe ensinou que a música é mais do que ritmo — é memória e identidade. Natural de Belo Horizonte, criado entre Itaúna e Mateus Leme, ele construiu em Juatuba, onde mora há uma década, uma trajetória que une palco, gestão cultural e comunidade. Baterista por paixão, produtor por vocação e barbeiro por ofício, Alex é um dos nomes que ajudam a manter vivo o cenário cultural da região.

Filho de Synésio Lopes Ferreira, o “Japão Cabeleireiro”, músico seresteiro conhecido nas décadas passadas, e de Maria Dajuda Peixoto, dona de casa e avó dedicada, Alex cresceu cercado por melodias de Roberto Carlos, Nelson Gonçalves e chorinhos tocados nas reuniões de família. Foi nesse ambiente, entre o som do violão e o barulho das conversas, que aprendeu a ouvir — e mais tarde, a tocar. “Eu ficava atrás da bateria nas serestas do meu pai e imitava no ar os movimentos dos músicos”, lembra.

Ainda jovem, a curiosidade virou talento. Na escola, uma gincana o colocou pela primeira vez diante de uma bateria de verdade. “Por ter aquela ‘memória’ dos shows, acabei conseguindo tirar um som logo de cara”, conta. A partir dali a música nunca mais saiu de cena. Vieram as primeiras bandas, UQ, Canal-X, Tio Chico, Césio 137, MP7 e os anos de estrada em bares e eventos, até que o palco deu espaço à produção cultural e ao trabalho nos bastidores.

Em Mateus Leme, onde viveu boa parte da juventude, Alex começou a organizar pequenos eventos com amigos e logo assumiu o Departamento de Cultura do município. Para ele, essa experiência ampliou sua visão sobre o papel social da arte. “A gratidão é a base de tudo. Tive pessoas que acreditaram em mim e me deram oportunidades únicas. É isso que carrego como valor”, afirma.

Hoje, casado há dez anos com Josiane dos Santos e pai de Júlia, de 9, Alex equilibra a rotina de representante comercial e músico. Nos sábados, volta às origens e corta cabelos na própria barbearia no centro de Juatuba. A música, ele diz, tornou-se um hobby compartilhado com a família. “Levo minha esposa e minha filha aos shows. Cada apresentação é uma confraternização entre amigos e famílias.”

Depois de um período afastado dos palcos, Alex voltou a tocar em 2024 com a Banda Brasília Amarela, tributo aos Mamonas Assassinas. O grupo, criado em Florestal há quase dez anos, encontrou nele não apenas um baterista, mas também um produtor experiente. “Entrei como convidado e acabei assumindo a parte de produção e agenda. É um projeto que diverte, emociona e conecta gerações. Tocamos para os pais e, agora, para os filhos deles”, explica. Com cerca de 20 apresentações neste ano, a banda já prepara novos shows e um projeto especial para o Carnaval.

Entre as risadas e o rock irreverente dos Mamonas, Alex vê na cultura um caminho de transformação. Ele participa de articulações locais que buscam fortalecer a cena musical de Juatuba e apoiar novos talentos.

“Tivemos uma reunião com músicos e o poder público para criar uma associação da classe. A cultura é essencial para qualquer cidade, porque forma identidade e consciência. Uma sociedade sem cultura é uma sociedade sem alma”, resume.

Autodidata e movido por curiosidade, Alex nunca teve formação musical formal. Aprendeu observando, errando e experimentando. Para ele, essa vivência é o que dá autenticidade ao trabalho. “Hoje, está tudo mais fácil — há equipamentos acessíveis, internet, cursos. Mas o essencial continua o mesmo: ter vontade e fazer acontecer”, afirma.

Para conhecer o trabalho da Banda Brasília Amarela Tributo, siga o perfil @brasiliaamarelatributo. Para shows, entre em contato pelo número (31) 9 9286-3862.