Proposta vai propor transformar nascente do Ribeirão Mateus Leme em marco municipal

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Durante a sessão da Câmara, realizada na última segunda-feira (1º), o morador Júnior utilizou a tribuna livre para fazer um alerta sobre a questão ambiental em Mateus Leme, principalmente, em relação à urbanização em áreas da Serra do Elefante. Em sua fala, ele defendeu que a região atua como uma reserva hídrica, que estaria sendo ameaçada pela urbanização.

Segundo ele, áreas como o Campo Guarani, onde estão sendo construídos loteamentos, são consideradas zonas úmidas. “Aquilo ali é a base de tudo. Se a gente destruir e colocar asfalto, como é que vai ser?”, questionou. “A serra é uma caixa d’água. A água da chuva infiltra, é guardada ali e depois distribuída”, argumentou.

Júnior argumentou que a defesa ambiental exige uma postura firme da classe política. “Se a gente não encarnar a defesa do meio ambiente, como é que vai ser?”, disse.

Quanto ao urbanismo, ele fez um apelo: “Vamos explorar com mais responsabilidade. Vamos proteger as áreas úmidas”, concluiu.

Propostas dos vereadores

Após o discurso de Júnior, os vereadores apoiaram as preocupações ambientais defendidas pelo morador e discutiram ações. A vereadora Irene Oliveira destacou a necessidade de fiscalização e acompanhamento de perto sobre a situação da Serra do Elefante. Segundo ela, é necessário verificar a preservação da vegetação nativa, a gestão do lixo e a regularidade das atividades esportivas no local. “É preciso ver como está funcionando a Serra do Elefante, seus arredores e como está sendo preservada”, enfatizou.
Ela também sugeriu que o município deveria transformar a nascente do principal curso d’água da cidade, que dá origem ao Ribeirão Mateus Leme, em um ponto de referência e visitação. “Nós temos o privilégio do Ribeirão Mateus Leme nascer em Mateus Leme. Temos que fazer dali um marco para o município”, defendeu. Ela usou como exemplo o rio São Francisco para embasar sua ideia. “Vocês imaginam o que é feito com a nascente do rio São Francisco? Quantas pessoas vão até a região para ver a água nascendo? Nós precisamos trazer essa emoção, esse amor para Mateus Leme”, defendeu.
Irene demonstrou preocupação com ações que preservem as nascentes do município, incluindo avaliação da pureza da água. “Vamos fazer um requerimento à prefeitura para medir a qualidade das três fontes do município, para ver se é potável mesmo”, propôs.
O vereador Warlim do Zé Beijo pediu a inclusão das minas d’água das regiões de Boa Vista e da Varginha nos estudos.

Por sua vez, o vereador Barrão anunciou que fará um pedido formal ao Executivo. “Vou marcar uma reunião com o Secretário de Meio Ambiente e verificar se ele tem um plano para essas fontes e se já tem algum pedido para a Copasa fazer algum benefício para essa área”, disse.

Em sua fala, o vereador Mário Imbondo ressaltou que um dos maiores problemas tem sido a contaminação dos lençóis freáticos. “Estão construindo fossas que não são as sépticas, mas as fossas negras”. Ele também criticou a falta de adequação ambiental em loteamentos de áreas rurais, afirmando que esses empreendimentos “não tiveram ainda o cuidado de construir essas fossas de acordo que a lei ambiental pede”. O resultado, segundo ele, é a degradação progressiva da água subterrânea: “E com isso nós estamos cada dia mais degradando as águas que estão no lençol freático”, alertou.
Ele também expressou preocupação com a exploração comercial de nascentes, com inúmeros pedidos de análises, que chegam à prefeitura. “Já tem 21 pedidos para pesquisas”, alertou.

Em resposta a esse risco, a vereadora Irene pediu que a Câmara elabore um projeto de lei para declarar as nascentes como de “utilidade pública”.

O objetivo dessa ação, segundo ela, seria transformar as fontes em “patrimônio municipal” ou “patrimônio natural de Mateus Leme”. O efeito prático, conforme explicou, seria impedir a apropriação por parte de quem busca registrá-las para exploração privada.