Três representantes de Mateus Leme tomaram posse na Academia de Letras do Brasil – seccional Minas Gerais (ALB-MG), durante cerimônia realizada no dia 18 de abril, na Biblioteca Estadual de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Maria José Mendes Alkmim, Eriane Angélica Grigório e Gilson Raimundo passaram a ocupar cadeiras na instituição, que reúne escritores, poetas e pesquisadores com atuação na promoção da literatura e da cultura.
A Academia de Letras do Brasil/RMBH, conta com 40 membros. A instituição tem como objetivo incentivar a produção cultural, promover eventos literários e valorizar autores de diferentes regiões.
A posse marca um momento importante para a cidade, que passa a contar com quatro moradores de Mateus leme na Academia. A primeira delas é Maria Mendes Correia, que representa Itapecerica, cidade onde nasceu.
Maria José Mendes Alkmim
A escritora Maria José Mendes Alkmim, que assumiu a cadeira 28, é professora de Língua Portuguesa e conta que a relação com os livros começou cedo. “Sempre amei os livros. Li meu primeiro livro aos sete anos e, assim que aprendi a ler, nunca mais parei. Os livros eram meu refúgio e minha forma de sobreviver ao mundo real”, relata. Desde pequena, ela já tinha o desejo de ser professora e incentivar outras pessoas a ler. “Eu sonhava em mudar o mundo e decidi que queria me tornar professora. Graças a Deus, realizei meu sonho de infância”, afirma.
Moradora de Mateus Leme, Maria José é graduada em Letras Português/Inglês e possui especialização em Revisão de Textos pela PUC Minas. Atualmente, leciona nas redes municipais de Juatuba e Betim, mas também atuou por muitos anos na Escola Estadual Elias Salomão. Ao longo da carreira, também trabalhou como corretora de redação do Enem pela Fundação Getúlio Vargas.
Com a experiência adquirida, ela passou a oferecer aulas de redação e criou um curso online voltado para o Enem. Segundo a professora, o resultado foi positivo. “Passei a aplicar meus conhecimentos com os alunos do Ensino Médio e deu muito certo. Tive uma chuva de alunos com nota acima de 900 na redação”, conta. O trabalho também resultou na publicação do primeiro livro, lançado em novembro de 2025. A obra “Redação Sem Segredos: A Fórmula Mágica para o Enem” reúne orientações para estudantes que se preparam para o exame.
Além do livro individual, Maria José também participou de coletâneas literárias da Academia de Letras do Brasil. Em alguns textos, utilizou o pseudônimo Maria Flor e, em outras publicações, assinou como Maju Mendes. Para ela, a posse na Academia representa reconhecimento e, também, responsabilidade. “É uma honra muito grande fazer parte da Academia de Letras do Brasil porque sinto que a literatura precisa estar mais próxima do povo”, afirma.
A professora também destaca o orgulho de representar a cidade. “Com muito orgulho represento a cidade do meu coração, Mateus Leme. Espero contribuir para a formação de mais leitores”, diz. “Minha eterna gratidão às duas escritoras, Maria Mendes e, Cida Rios, que me incentivaram e me motivaram sempre”, conclui.
Eriane Angélica Grigório
Outra empossada foi a professora e assessora de comunicação Eriane Angélica Grigório, que ocupa agora a cadeira 24, representando a cidade de Pitangui. Moradora do distrito de Azurita, ela também preside uma associação de ajuda humanitária com atuação em Angola e no Brasil. A paixão pelos livros começou ainda na infância, quando frequentava bibliotecas e tinha a leitura como companhia constante. “Desde sempre a biblioteca foi meu lugar no mundo e os livros minhas companhias mais fiéis”, conta. Um dos primeiros contatos com a literatura foi com a obra “Alice no País das Maravilhas”, ainda quando estava no início da alfabetização.
Segundo Eriane, o interesse pela escrita surgiu cedo. “Uma vez escrevi uma história e a professora não acreditou que fui eu quem criei”, recorda. Aos sete anos, produziu o primeiro livro, com texto e ilustrações. “Meu primeiro livro nasceu aos sete anos. Ilustrei e escrevi ‘A liberdade de um pássaro’”, afirma.
Ao longo dos anos, ela passou a escrever textos autorais, incluindo poemas, contos e crônicas. Eriane também se dedicou à literatura infantil, com publicações independentes como “Marina Banana em Escola Quem Ama Cuida”, “Mariana Banana e a Serra do Elefante”, “Menina Pretinha e a Zebrinha Listradinha” e “A Aranha e a Joaninha”. Outro livro infantil, “Turim e Paturi”, está em fase de finalização.
Ela afirma que o convite para integrar a Academia surgiu após participação em coletâneas literárias e incentivo de amigos escritores. “Sinceramente, ainda não me sinto à altura de estar ao lado de pessoas tão incríveis, mas estou profundamente lisonjeada pelo convite”, diz. Para Eriane, a posse representa reconhecimento e compromisso. “Estar numa cadeira da Academia é tão honroso quanto é uma responsabilidade que abraço com humildade e compromisso”, afirma.
Gilson Raimundo
O terceiro morador de Mateus Leme é o escritor Gilson Raimundo, que se dedica principalmente aos gêneros terror e suspense. Representando Itaúna, a cidade onde nasceu, ele agora ocupa a cadeira 32. Criado em Azurita, onde mora atualmente, no bairro Bom Jardim, ele concilia a escrita com o trabalho na área de mecânica industrial. Foi na região que ele transformou histórias ouvidas na infância em inspiração para a escrita. Filho de ferroviário e servente escolar, cresceu em ambiente simples do interior, cenário que influenciou sua produção literária.
A trajetória como escritor começou no site Recanto das Letras, onde publicava textos e fábulas para os filhos. Foi nesse espaço que descobriu o interesse pelo terror. Com o tempo, passou a participar de desafios literários e se destacou em concursos. Posteriormente, ajudou a criar o Concurso Literário de Terror e Suspense, que já realizou dezenas de edições.
Gilson também organizou três antologias intituladas “Contos Arrepiantes”, reunindo textos de diferentes autores. Em 2025, lançou o primeiro livro solo, “Tudo é Relativamente Compreensível”, pela Verlidelas Editora.
Segundo ele, a nomeação foi recebida com muita honra e alegria. “Confesso que não me via com o perfil de um acadêmico, especialmente por atuar em gêneros como o terror e o suspense, segmentos em que poucos autores alcançam esse tipo de reconhecimento”, disse. “Agradeço imensamente à escritora Maria Mendes e ao professor Mauro Moraes pela confiança e pela indicação”, concluiu.






