Alunos de Mateus Leme conhecem de perto a experiência do Instituto Terra, fundado por Sebastião Salgado

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Cerca de 60 estudantes de 10 e 11 anos de escolas municipais de Mateus Leme trocaram a rotina da sala de aula por uma viagem ao Instituto Terra, em Aimorés, na divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo. O espaço, fundado pelo premiado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, é internacionalmente reconhecido pela recuperação da Mata Atlântica.

A visita reuniu alunos do 5º ano das escolas Dona Ailza Maria de Jesus, Professora Bertina Ferreira e Maria Guaraciaba Passos, todos integrantes do Programa Jovens Mineiros Sustentáveis. O grupo foi acompanhado por professores e monitores.

Segundo a Secretária de Educação, Fátima Gaia, a programação oferecida pelo instituto incluiu um mergulho nas práticas de restauração ecológica. “Os alunos conheceram o setor de apicultura, acompanharam o ciclo completo de produção de mudas, desde a coleta das sementes até o berçário e ainda percorreram a Trilha do Quati”, relatou. Pelo caminho, avistaram animais como pica-paus, jabutis e quatis, além de aves típicas da região.

Atividades lúdicas, como quiz temático e jogos de associação de sons da fauna, completaram a experiência. “Antes da viagem, os alunos já haviam recebido materiais educativos e participaram de palestras preparatórias”, contou a Secretária.

Além da visita ao instituto, os alunos aproveitaram um passeio de trem pela região, o que permitiu observar aspectos da paisagem natural, como relevo, vegetação e hidrografia. “Neste momento posterior a visita, serão retomados em sala toda experiência, promovendo a integração do conhecimento adquirido durante a experiência com o currículo escolar”, explicou a Secretária.

Apoio e parcerias

O projeto Jovens Mineiros Sustentáveis já faz parte do calendário educacional de Mateus Leme. Desde sua implantação, formou mais de 500 estudantes e, neste ano, atende 110 alunos. O objetivo, segundo a Secretaria de Educação, é estimular a consciência ambiental de crianças e jovens, tratando de temas como biodiversidade, preservação de recursos naturais e cidadania ecológica.

Segundo Fátima Gaia, organizar uma viagem desse porte exigiu articulação. O custo inicial superava R$ 50 mil, mas parcerias reduziram o impacto nos cofres municipais. A Vale, por exemplo, ofereceu passagens de trem, enquanto empresas como Hug, Mello Azevedo, Serralheria Atual Produtos e Serviços e Tribos Editora contribuíram para custear outras despesas. No fim, o investimento da Prefeitura ficou em torno de R$ 147 por estudante.

Para a Secretaria de Educação, a experiência é parte de um processo maior de formação integral. “Mais do que uma simples excursão, a visita proporcionou um contato direto com a natureza, contribuindo para o bem-estar físico e mental dos alunos, além de despertar empatia e senso de responsabilidade ambiental”, explicou.

Ao longo deste ano, outros destinos devem ser incluídos no calendário do Jovens Mineiros Sustentáveis e, para o próximo ano, existe a expectativa de ampliar o número de escolas participantes. “A decisão, no entanto, depende da liberação de novas vagas pelo Governo do Estado, parceiro do programa”, ressaltou a Secretária.

O Instituto Terra

O Instituto Terra foi fundado em 1998 pelo fotógrafo Sebastião Salgado e sua esposa, a arquiteta Lélia Wanick Salgado. O casal transformou uma antiga fazenda de gado degradada em laboratório vivo de reflorestamento e educação ambiental. O solo árido da região deu lugar a mais de 2.300 hectares reflorestados, milhões de árvores nativas e milhares de nascentes recuperadas.

Desde então, o Instituto Terra segue expandindo suas atividades. Em 2024, anunciou a construção de um viveiro capaz de produzir 1 milhão de mudas por ano, além da ampliação de programas como o Terra Jovens e o Terrinhas, voltados à formação de crianças e adolescentes em práticas sustentáveis. A proposta, segundo o instituto, é criar uma rede que conecte escolas, comunidades e produtores rurais em torno da regeneração da Bacia do Rio Doce.