ARSAE-MG fiscaliza Mateus Leme após notificação da prefeitura sobre falta d’água

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A falta de água voltou a ser motivo de preocupação em Mateus Leme no fim de 2025. Moradores da sede e de distritos enfrentaram dias seguidos sem abastecimento, justamente em um dos períodos mais sensíveis do ano, o Natal. As reclamações se multiplicaram e levaram a Prefeitura a acionar oficialmente a Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário de Minas Gerais (Arsae-MG).

No dia 29 de dezembro, a Procuradoria-Geral do Município encaminhou uma Notificação Administrativa à Arsae-MG relatando a interrupção no fornecimento de água potável que se arrastava desde o dia 25. O documento destacou que o problema afetava tanto a área urbana quanto os distritos, causando transtornos à população.

Em resposta, a Arsae informou que já havia uma fiscalização prevista para o município, mas, diante da gravidade da situação relatada, decidiu antecipar a ação. Na última terça-feira (6), o órgão enviou uma equipe técnica ao município para averiguar a extensão do problema. De acordo com o órgão, a fiscalização abrangeria tanto o Sistema de Abastecimento de Água (SAA) quanto o Sistema de Esgotamento Sanitário (SES), incluindo a sede e os distritos. O objetivo, segundo a Arsae, seria identificar as causas das interrupções, avaliar se a prestadora do serviço opera dentro das normas e verificar o cumprimento das metas contratuais e regulatórias previstas.

Orientação à população

Antes mesmo da resposta da Arsae-MG, a prefeitura de Mateus Leme já havia se manifestado publicamente sobre o problema. No final de dezembro, o município informou que estava recebendo inúmeras reclamações de moradores de vários bairros, relatando a falta de água por vários dias seguidos.

Na ocasião, a prefeitura reforçou que o serviço de abastecimento é de responsabilidade da Copasa e orientou os moradores a registrarem suas reclamações diretamente nos canais oficiais da companhia. Além disso, pediu que a população informasse, por meio das redes sociais oficiais do município, os bairros afetados, para que as demandas pudessem ser acompanhadas e cobradas com mais força junto à concessionária.

O episódio evidencia que a falta de água em Mateus Leme é um problema recorrente e que segue exigindo atenção constante, fiscalização efetiva e respostas rápidas para reduzir os impactos no dia a dia da população.

Respostas da Arsae e Copasa

A reportagem procurou a Arsae para informações sobre a fiscalização e, em resposta, a assessoria da agência reguladora informou que uma fiscalização está em andamento no município. Segundo a agência, os trabalhos iniciados na terça-feira (6), se estenderam também nos dias 7 e 8 deste mês, com deslocamentos da equipe técnica para o município. Ainda de acordo com a Arsae, após a conclusão das vistorias e análises técnicas, há um prazo padrão de até 45 dias úteis para a elaboração do relatório de fiscalização, documento que deve apontar eventuais irregularidades e indicar os encaminhamentos necessários.

Também procurada pela reportagem para divulgar o que teria ocasionado a falha no abastecimento de água no final do ano, a Copasa informou que identificou redução na oferta de vazão e de pressão em determinados períodos do dia. Segundo a companhia, o problema está relacionado ao aumento gradual da temperatura e do consumo de água pela população.

Como solução estrutural, a empresa destacou que está em fase de conclusão um projeto que prevê a ampliação das adutoras de transporte de água desde a Estação de Tratamento de Água (ETA) Serra Azul até Mateus Leme, além da substituição do sistema de bombeamento. Segundo a concessionária, a intervenção permitirá a duplicação da vazão atual, o que irá aumentar a  oferta de água para a cidade. A previsão é que as obras tenham início no primeiro semestre de 2026, com conclusão estimada em até 24 meses, sendo executadas em etapas. Após os primeiros 12 meses, a expectativa é de melhora considerável no abastecimento.

A  Copasa também informou que, paralelamente,  realiza estudos para reforçar o fornecimento nos bairros Londrina, Planalto e Mangabeiras, , incluindo a implantação de novas redes, setorização e substituição de conjuntos motobomba que atendem áreas mais elevadas da região.

Segundo a concessionária, esses estudos estão em fase final, e em seguida será iniciado o processo de aquisição de equipamentos e materiais necessários para a execução das obras. Enquanto isso, a companhia afirma que segue monitorando o sistema, realizando ações de campo, identificando possíveis fugas e reforçando o abastecimento com caminhões-pipa.