O Festival Vila Léa, realizado na Serra da Moeda, reuniu artistas de diferentes trajetórias, propostas e técnicas. Entre eles, a presença da artesã de Mateus Leme, Danielle Ribeiro, chamou atenção não apenas pelo conjunto de peças exposto, mas pela história que ela carrega com a cerâmica. “Minha experiência no Festival Vila Léa, na Serra da Moeda, foi verdadeiramente mágica e inspiradora”, disse ela. “Pra mim foi muito especial expor minhas peças de cerâmica feitas com modelagem manual, ao lado de artistas com mais de 20 anos de experiência, verdadeiros mestres na arte de manusear o barro”, resume.
Natural de Divinópolis, Danielle mudou-se com a família para Juatuba ainda na infância, aos quatro anos. Mais tarde, aos 27, fixou-se em Mateus Leme, cidade onde vive até hoje e onde consolidou sua trajetória profissional e artística. Seu ateliê, localizado aos pés da Serra do Elefante em um casarão do século XVIII, é parte importante de seu processo criativo. Além da beleza, o cenário une história, silêncio e natureza, elementos que ela traduz de forma sutil em cada uma das suas peças.
A arte nas mãos
A relação com a cerâmica começou cedo, aos 17 anos, quando Dani fez um curso oferecido pela Prefeitura de Juatuba. A experiência a marcou profundamente e o encantamento foi imediato. “Fiquei completamente encantada com esse mundo mágico de trabalhar com os quatro elementos”, relembra. À época, apesar da experiência com a argila, minha vida profissional seguiu caminhos diferentes, mas o interesse pela cerâmica nunca deixou de existir. Décadas depois, já aos 43 anos e em meio ao processo de reconstrução pessoal após o divórcio, ela decidiu retomar o sonho interrompido. “Foi, sem dúvida, a melhor escolha”, resume.
Antes de mergulhar de vez no barro, Danielle se formou em Design de Interiores e buscou formação constante em cerâmica, com cursos de modelagem, torno, esmaltação e queima, disciplinas que ela segue estudando por entender que “o mundo da cerâmica é de imensas possibilidades e muito aprendizado”. Sua especialidade, hoje, são as peças utilitárias: pratos, canecas, vasos, travessas, sempre modelados à mão. Para o Festival Vila Léa, preparou uma coleção inspirada na natureza que a cerca diariamente: limões sicilianos, azeitonas pretas, copos-de-leite e os passarinhos que já se tornaram marca registrada de seu trabalho.
A participação no festival, o primeiro da carreira, representou mais que uma vitrine. Danielle compartilha que ficou especialmente emocionada com a recepção do público. “Fiquei imensamente feliz com a reação das pessoas. O que mais ouvi era que estavam encantadas com o cuidado e amor em cada detalhe”, contou. Uma das peças expostas, uma queijeira com a frase “Sou do Mundo, sou Minas Gerais”, foi escolhida por uma visitante para ser enviada como presente a um mineiro que vive na França. “Não é apenas sobre vender, mas sobre sentir a reação que a sua arte causa nas pessoas”, revela.
Para Danielle, estar em eventos como o Vila Léa tem importância prática e emocional. A venda das peças garante a sustentabilidade do trabalho; o contato com curadores, artistas e galeristas amplia horizontes; e a validação do público reforça o propósito da criação. Mas, para ela, acima de tudo, o valor está no encontro: “no ateliê preciso de um tempo sozinha pra ouvir minha intuição, mas em um festival, colocamos a nossa arte no mundo e podemos observar a reação do cliente em tempo real”, reflete.
Divorciada e mãe de Ana Luiza Ribeiro, 24 anos, Danielle vive a fase mais madura da sua trajetória artística. Seu desejo é seguir investigando materiais, técnicas e formas, além de compartilhar conhecimento em oficinas e workshops. “Espero viver muitas experiências incríveis nesse mundo da cerâmica e poder partilhá-las com todos os amantes da arte e do fazer manual”, destaca.
Sobre o Festival
O Festival Vila Léa – Design, Gastronomia e Botânica celebra a diversidade criativa e cultural do Destino Veredas. Realizado no último final de semana, entre 21 e 23 de novembro, em Brumadinho, o evento reuniu ceramistas, artistas, produtores de alimentos artesanais e restaurantes dedicados à culinária mineira, oferecendo ao público uma experiência sensorial e afetiva. A proposta, segundo a organização, é integrar arte, sabores e elementos botânicos em um ambiente inspirador, valorizando a relação entre natureza, criação e pertencimento. Foi nesse cenário que Danielle fez sua estreia em eventos de exposição, apresentando seu trabalho ao lado de nomes experientes da região.






