Aos 15 anos, Aisha Felícia já construiu uma trajetória que orgulha Juatuba. Tricampeã mineira de taekwondo, a jovem atleta coleciona medalhas, disciplina e reconhecimento por representar o município em competições. Dentro do tatame, Aisha é sinônimo de força, foco e superação. Fora dele, porém, desde julho do ano passado, a família enfrenta uma batalha diária marcada por dor, incertezas e muitos desafios.
Por trás da imagem vitoriosa da atleta, existe uma realidade sensível vivida por seus pais. A mãe, Bianca, convive desde 2012 com uma série de comorbidades graves que a impedem de caminhar normalmente e realizar atividades básicas da rotina. “Fui diagnosticada com sete doenças autoimunes, como lúpus, artrite reumatoide e doença de Crohn, além de doenças ósseas degenerativas”, diz a mãe da atleta. “Também sofro de insuficiência cardíaca e outras complicações que me levaram a ser reconhecida como pessoa com deficiência por médicos e pela assistência social”, relata. Há mais de três anos, ela diz que vive à base de morfina para suportar dores intensas.
Além disso, Aisha, além de atleta, é autista, nível 2 de suporte, o que exige ainda mais cuidado e acompanhamento. A situação da família se agravou drasticamente em julho do ano passado, quando o pai de Aisha sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) grave. Para salvar sua vida, os médicos precisaram realizar uma cranieoctomia, cirurgia em que metade do crânio é retirada para aliviar a pressão cerebral. Desde então, ele perdeu a fala, a cognição e todos os movimentos do lado direito do corpo, ficando tetraplégico. Além disso, passou a ter convulsões frequentes e desenvolveu seletividade alimentar severa.
Auxílio para criar uma fonte de renda
Sem renda fixa, morando no bairro Samambaia e pagando aluguel, Bianca se viu sozinha para arcar com todas as despesas da casa: água, luz, alimentação e uma extensa lista de medicamentos para os três. A família ainda aguarda a liberação do Benefício de Prestação Continuada (BPC), processo que está em andamento.
Diante da impossibilidade de trabalhar fora por causa de sua saúde e da condição do marido, Bianca encontrou uma alternativa para tentar garantir o mínimo de sustento: criar uma vaquinha online. O objetivo é arrecadar recursos para iniciar uma produção artesanal simples, feita em casa, de doces, velas aromáticas e sabonetes artesanais. “A ideia é conseguir iniciar uma atividade que eu possa trabalhar sentada, em um ambiente adaptado para gerar renda para manter a família”, diz.
A vaquinha foi criada em novembro do ano passado com a meta de R$ 10 mil. Até janeiro, foram arrecadados R$ 1.840,01, além de algumas doações feitas diretamente em conta bancária. Com esse valor, a família conseguiu adquirir itens básicos para dar os primeiros passos: uma panela, duas formas, espátulas, sacos de confeiteiro, um fogão, além de alguns materiais iniciais para a produção dos doces. Na área de saboaria, já foram comprados um fogão elétrico, duas leiteiras esmaltadas, duas formas de sabonete — que permitem produzir quatro unidades cada — e embalagens para perfume sólido.
Apesar dos avanços, ainda falta muito. A família precisa de mais formas, embalagens, matéria-prima, tinta lavável para pintar a cozinha — que não possui azulejos —, itens de higiene, impressão de rótulos, uma mesa simples para que Bianca possa trabalhar sentada, prateleiras para armazenamento e tinta para pintar um quarto que será usado como espaço de produção e estoque. “O processo é lento, mas a fé não falta”, resume Bianca, que agradece cada contribuição, oração e gesto de solidariedade.
Para ajudar a família, você pode acessar o site www.vaquinha.com.br e digitar o código da campanha ID: 5803186 no campo de buscas ou entrar em contato com Bianca pelo whatsapp 31 9188-9041.






