Igualdade e valorização da cultura afro na pauta da Semana da Consciência Negra de Mateus Leme

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A Prefeitura de Mateus Leme anunciou a realização da Semana da Consciência Negra e a programação vai acontecer na próxima semana, nos dias 19, 22, 24 e 25 com palestras, oficinas, exposições, rodas de conversa e apresentações culturais. Os locais e horários serão divulgados nas redes oficiais do município @prefeiturademateuslemeoficial.

De acordo com Michelli Fabiana, secretária de Desenvolvimento Social, a proposta central é promover diálogos sobre igualdade racial e valorização da identidade afro-brasileira. “O objetivo é promover a transversalidade nos diálogos, abordando o tema a partir de diferentes perspectivas. A Semana da Consciência Negra é um espaço para reflexão, aprendizado e fortalecimento das políticas públicas que já vêm sendo desenvolvidas no município”, afirmou.

A realização da Semana da Consciência Negra é mais uma das ações que integram a agenda de enfrentamento ao racismo e promoção da equidade no município. Segundo Michelli, a igualdade racial é tratada como prioridade dentro da administração pública. “É um debate constante. Diversas ações já estão em curso, buscando ampliar o respeito e garantir mais equidade para todos os cidadãos”, destacou.

No âmbito da Assistência Social, a Secretaria atua diretamente nos CRAS I e II, onde o tema é discutido de forma transversal nos grupos atendidos — incluindo crianças, adolescentes, mulheres e idosos. “A igualdade racial permeia o trabalho com a população em situação de vulnerabilidade social. É uma pauta permanente”, explica Michelli.

Cumprindo a lei

Na Educação, a secretária Fátima Gaia reforça que o município cumpre a Lei nº 10.639/03, garantindo o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana no currículo escolar. Ela afirma que, nos últimos anos, há uma crescente implementação de políticas de equidade nas escolas. “Essas ações entendem a diversidade como uma oportunidade de aprendizado e formação humana, pautada no respeito e na valorização das identidades e das diferentes produções culturais”, diz.

Já a Secretaria Municipal de Cultura, também desenvolve ações voltadas à promoção da diversidade cultural, com base na Lei Municipal nº 3228/2023, que protege os direitos de povos e comunidades de matriz africana e afro-brasileira. O secretário Rodrigo Marques destaca que, em 2025, um Termo de Fomento firmado entre a Prefeitura e Organizações da Sociedade Civil priorizou categorias da cultura popular ligadas às religiões de matriz africana. “Esse reconhecimento é fundamental para garantir respeito e representatividade”, afirma.

Segundo a prefeitura, “de forma geral o município tem fortalecido ações educativas, culturais e sociais que enfrentam o racismo estrutural, valorizam a identidade afro-brasileira e ampliam oportunidades para a população negra. As políticas envolvem projetos permanentes, diretrizes de equidade e ações comunitárias que reforçam o papel da população negra na construção da história e do desenvolvimento de Mateus Leme”.

Lideranças afro destacam avanços e desafios em Juatuba e Mateus Leme

Não somente a prefeitura, mas também o Terreiro o Bakise Mona Ixi promoverá ações em comemoração à data. No próximo sábado (22), o espaço será palco de uma roda de samba, expressão tradicional afro-brasileira. Na terça-feira (25), será lançado o documento “Filhos da Terra”, que narra a trajetória espiritual e cultural de Tat’etu Ximeango, seguido de uma roda de conversa com o próprio líder religioso. Na mesma data, Pai Kasutemê ministra a palestra “O Rosto Preto do Brasil: perspectivas da matriz afro-brasileira”.

Avanços recentes em Mateus Leme

Pai Tata Ximeango avalia que, nos últimos cinco anos, o município registrou avanços importantes em políticas de promoção da igualdade racial. Para ele, o reconhecimento institucional da cultura bantu é um marco fundamental. “O maior progresso foi a valorização da cultura de matriz africana, muito presente em nosso município”, aponta. Ele destaca ainda o fortalecimento de dois importantes terreiros da região: o Bakise Bantu Kasanje, considerado um dos maiores expoentes da cultura bantu em Minas, e o próprio Bakise Mona Ixi, que reafirma a presença e resistência dessa tradição.

Outro passo significativo foi a aprovação da Lei Municipal nº 3.228, de 19 de outubro de 2023, que estabelece a proteção aos direitos dos povos e comunidades de matriz africana e afro-brasileira. “Esses exemplos são a marca da evolução na luta contra o racismo”, avalia o sacerdote.

Apesar dos progressos, Pai Tata Ximeango ressalta que o caminho ainda é longo. Para ele, é preciso aumentar a representatividade da população negra nos espaços institucionais. “Falta-nos ocupar mais espaços na Câmara e no Governo Municipal. Já avançamos, mas ainda é mínimo. Precisamos pensar a cidade numa perspectiva preta, com atenção às demandas urgentes, como a marginalização e a dificuldade de acessar direitos básicos.”

Ele também observa que a sociedade evoluiu na percepção do racismo, mas ainda há desafios. “A ideia de que o racismo destrói a dignidade humana está mais consolidada. As pessoas estão mais sensíveis ao respeito. Mas precisamos avançar no protagonismo da população negra na sociedade atual”, afirma.

Vozes de Juatuba

Em Juatuba, a professora de artes da Casa de Cássia, Cristina Afro, moradora da cidade há quatro anos, afirma não conhecer políticas públicas estruturadas voltadas à igualdade racial no município.  Para ela, o caminho passa por formação contínua e fortalecimento da autoestima da população negra. “É importante promover formação sobre direitos, consciência racial e convivência coletiva. O 20 de novembro é um dia de luta, resistência e valorização da verdadeira história dos negros que construíram este país”, destaca.

Cristina também observa que, apesar das desigualdades históricas, a população negra tem conquistado cada vez mais espaço em áreas antes restritas aos brancos. “Da educação científica às universidades, passando por diversas profissões e setores onde as mulheres negras, especialmente, começam a ocupar novos protagonismos”, explica.

A nossa reportagem entrou em contato com a prefeitura de Juatuba para informações sobre ações na cidade referente à data, mas até o fechamento dessa edição, não recebemos retorno.