Moradores denunciam que local onde estudante foi encontrada morta não recebe manutenção  

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A falta de manutenção nas margens da BR-262, em Juatuba, voltou a ser alvo de críticas e questionamentos nesta semana após a morte da estudante de psicologia, Vanessa Lara de Oliveira Silva, caso que comoveu moradores da cidade e repercutiu em todo o Brasil. O crime aconteceu em uma área próxima ao ponto onde a jovem atravessava para pegar o ônibus de volta para casa, em um trecho marcado pelo mato alto, pouca visibilidade e sensação de isolamento.

No dia do crime, Vanessa precisou seguir por um caminho estreito e cercado por vegetação alta para acessar o ponto de ônibus. O local, é percurso de vários trabalhadores que utilizam o atalho, para chegar à BR 262 e pegar ônibus para outras cidades.

Alvo de reclamações durante todo o ano, a falta de manutenção do local gerou questionamentos nas redes sociais após o crime. Para quem transita por ali, a falta de limpeza e a ausência de visibilidade facilitaram a ação do criminoso. “As condições do local permitiram que o homem pudesse arrastar a jovem e cometer o crime, sem que a vizinhança do lado pudesse ver ou ouvir”, comentou um morador.

Após a repercussão, a prefeitura de Juatuba divulgou nota informando que o local onde o corpo foi encontrado fica às margens da BR-262 e está sob responsabilidade da concessionária federal Way 262. Segundo o município, solicitações de limpeza já haviam sido formalizadas anteriormente e os serviços foram executados nesta quarta-feira (11), após o corpo ser descoberto.

Solicitações da prefeitura

A prefeitura apresentou documentos que mostram que, desde janeiro, vinha cobrando providências. Em ofício enviado no dia 6 de janeiro, o secretário de meio Ambiente, Wellington Carneiro solicitou roçada e limpeza das margens da rodovia. O documento destaca que “o crescimento excessivo da vegetação pode comprometer a visibilidade dos condutores, aumentando significativamente o risco de acidentes”.

O texto ainda alerta que “manutenção adequada das margens da rodovia é medida essencial de segurança viária, contribuindo para a preservação da integridade física de motoristas, passageiros e pedestres”.

No entanto, segundo o Secretário de Meio Ambiente, a ação não foi realizada com urgência solicitada pela prefeitura. “Responderam que iriam realizar, mas só fizeram depois da tragédia, como foi visto”, disse à nossa reportagem.

Moradores também confirmam que, apesar das cobranças, o trecho não estaria recebendo manutenção frequente. Luiz Fabiano, conhecido como Mirim, que realiza trabalhos de limpeza voluntária na cidade, juntamente com a equipe do Centro de Libertação de Vidas (CELIVI), disse que a última limpeza no local foi feita por eles. “Não faz limpeza lá, não. Só fez agora, depois da tragédia, porque foi notificado”, afirmou.

Outra moradora, que é vizinha ao local, confirmou: “lá sempre fica com mato alto. Não limpa periodicamente, somente quando está muito alto e dessa vez não foi diferente”, confirmou.

A concessionária Way 262 respondeu que cumpre suas obrigações contratuais. Em nota, explicou que realiza roçada contínua ao longo do ano em uma faixa de até quatro metros a partir da pista. Porém, a limpeza completa da faixa de domínio, “de cerca a cerca”, ocorre apenas uma vez ao ano, conforme contrato de concessão. O serviço teria sido realizado no ano passado e está programado para acontecer novamente após o período chuvoso.

A Defesa Civil de Juatuba também se manifestou afirmando que o trecho é de responsabilidade federal. Segundo o coordenador Antônio Cesar Teixeira, o órgão reiterou comunicação formal à concessionária solicitando providências e atenção redobrada.