Um dos nomes mais respeitados da história política de Mateus Leme será eternizado na cidade. Nesta semana, os vereadores aprovaram o Projeto de Lei que denomina o novo posto de saúde do bairro Central de “Jacinto Alves do Amaral”.
A homenagem celebra a trajetória do ex-vice-prefeito, lembrado pela população por sua dedicação ao serviço público. Mais de quatro décadas após sua morte, o terreno que abrigou a propriedade familiar, vai abrigar o novo posto de saúde.
A homenagem, que emocionou familiares e amigos presentes à sessão, vai garantir que o legado de Jacinto – conhecido por seu trabalho como comerciante, juiz de paz e vice-prefeito entre 1972 e 1976 – siga vivo no dia a dia da comunidade.
A proposta, de autoria do vereador Amilton Pocotó, busca preservar o legado de um homem que, segundo os colegas de Câmara, marcou a cidade com seu trabalho e sua postura ética. “Jacinto foi um homem íntegro, honesto, comerciante dedicado e exemplo de cidadão que contribuiu muito com Mateus Leme”, destacou o vereador ao apresentar a justificativa do projeto.
Durante a sessão, a presença dos familiares — filhos, netos e amigos — deu um tom de emoção ao plenário. Além dos filhos Roberto, Hélio, Zé Martins, Fernando, Tânia, Lúcia, Sônia e Maria Célia, também foram lembrados os 19 netos do homenageado.
“Ele foi um homem de boas lições e de grande coração. Essa homenagem é mais do que merecida”, comentou vereador Pretinho do Hospital.
A História de Jacinto Alves do Amaral
Jacinto Alves do Amaral nasceu em 5 de novembro de 1914, em Mateus Leme, filho de Joaquim Alves de Araújo e Maria Clara do Amaral. Criado em um ambiente marcado pelo trabalho e pela honestidade, teve uma infância simples, mas fundamentada em valores sólidos.
Ao constituir família com Geni Pereira Martins, com quem criou oito filhos, Jacinto tornou-se um conhecido comerciante no bairro Central. Seu armazém era mais do que um ponto comercial; funcionava como um espaço de convívio e apoio para a comunidade. Em períodos de dificuldade, era prática comum vender fiado, acreditando que negar alimento a uma família era negar sua própria humanidade. Seus cadernos acumulavam anotações de dívidas, muitas das quais nunca seriam quitadas, mas a cobrança rigorosa não era uma característica de seu caráter. Preferia compreender as limitações do próximo e oferecer uma ajuda despretensiosa, o que lhe granjeou o afeto e o respeito duradouro de seus contemporâneos.
Sua reputação de homem íntegro e justo naturalmente o conduziu a funções de liderança. Foi diretor da Cooperativa dos Produtores Rurais, onde trabalhou para organizar a produção agrícola e defender os interesses dos pequenos produtores. Posteriormente, exerceu o cargo de juiz de paz, função na qual era reconhecido pela serenidade, pela capacidade de ouvir e por buscar soluções que fizessem justiça sem desrespeitar a dignidade alheia. Colaboradores da época costumam relatar que “ele transformava a autoridade em serviço”.
Seu compromisso com o serviço público culminou no mandato de vice-prefeito, entre 1972 e 1976, ao lado do prefeito Wilman Elias Salomão. Para muitos, esse período representou o reconhecimento formal de uma vocação que ele sempre exercera. Paralelamente, atuou como avaliador judicial da comarca, cargo que demandava a imparcialidade e a confiança que lhe eram inerentes.
Fora da vida pública, Jacinto dedicava-se à propriedade rural herdada de seu pai. Na lida diária com a terra, produzindo leite, farinha e polvilho, construiu o sustento da família com um trabalho que começava antes do amanhecer. Enfrentou adversidades como pragas e intempéries, mas sempre encarou os obstáculos com perseverança, transformando seu sítio em um símbolo de uma vida guiada pela fé e pelo trabalho.
Jacinto Alves do Amaral faleceu em 6 de janeiro de 1983, aos 68 anos. Sua partida foi sentida por familiares, amigos e por toda a comunidade que ajudara a construir.






