Professora denuncia vandalismo e pede mais segurança em escola de Juatuba

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Durante a reunião da Câmara de Juatuba esta semana, a professora Sônia Fonseca, servidora estadual do município, usou a tribuna para fazer um apelo situações que os professores têm enfrentado na rede pública de ensino, em especial na Escola Municipal Maria Luiza Andrade, localizada no bairro Cidade Nova I. Ela relatou casos de vandalismo e insegurança dentro e nos arredores da escola, pedindo apoio das autoridades para garantir um ambiente mais seguro a alunos e educadores.

“O que me traz aqui é uma situação difícil. Já vim várias vezes solicitar melhorias, mas desta vez não é sobre salário nem estrutura. É sobre agressões e violência que nós, na escola, estamos sofrendo”, iniciou a professora, que atua na rede municipal desde o ano 2000.

Sônia lembrou que o problema da violência escolar não é recente, mas vem se agravando. Segundo ela, professores e funcionários têm se sentido desamparados diante de atitudes cada vez mais ousadas de alguns estudantes. “Isso é de conhecimento público, todo mundo sabe das dificuldades que enfrentamos. E cada vez mais precisamos nos apoiar uns nos outros. Vocês, como autoridades, e nós, como educadores, estamos falhando em cumprir o nosso papel de formar cidadãos”, alertou.

O episódio mais recente que motivou a presença da professora na Câmara ocorreu nos dias 10 e 17 de setembro, quando duas alunas do turno da manhã riscaram os carros de professores que trabalham no turno da tarde. O caso, segundo Sônia, deixou toda a comunidade escolar indignada.

“São alunas que nem nos conhecem. Elas fizeram isso não por vingança, mas por brincadeira”, disse. Segundo ela, essas atitudes são reflexo da impunidade já que os jovens acreditam que nada acontece com eles. “Não dá nada pra mim”, disse repetindo a frase que sintetiza o pensamento de alguns jovens.

De acordo com a professora, o prejuízo foi totalmente arcado pelos profissionais atingidos. “No fim, sobra para nós. Muitos acabam deixando pra lá porque o processo é cansativo e envolve custos. Mas é uma oportunidade para que os pais também assumam a responsabilidade e corrijam a postura dos filhos”, destacou.

Sônia também criticou a falta de câmeras de segurança na escola, o que dificultou a apuração do caso. As imagens que ajudaram a identificar as alunas, contou ela, vieram de um comércio vizinho e de uma creche próxima, e só puderam ser visualizadas com a ajuda de terceiros.

“Na nossa escola não há câmeras viradas para a rua. Isso poderia ter inibido o vandalismo. Tivemos que depender das imagens da Creche Zilda e de um comerciante que gentilmente nos deixou ver o que aconteceu”, relatou.

A docente explicou que a direção da escola ainda não conseguiu acesso oficial às gravações, pois depende da autorização e da visita da empresa responsável pelas câmeras.

Com mais de 20 anos de serviço público, Sônia disse estar próxima da aposentadoria, mas afirmou que não quer se calar diante das dificuldades que os colegas continuam enfrentando. “Mesmo eu estando a caminho da aposentadoria, não posso simplesmente aceitar essa realidade. Nós precisamos de atitude”, reforçou.

Ela fez um apelo aos vereadores. “Vamos instalar mais câmaras, mas principalmente educar”, destacou.

O presidente da sessão, vereador Jurandir, destacou que o tema da segurança nas escolas tem sido recorrente nas discussões da Câmara e se comprometeu a encaminhar o relato à Secretaria Municipal de Educação e à Polícia Militar, buscando soluções para prevenir novos casos.

A Secretária de Educação também se pronunciou sobre o assunto. Segundo ela, como a ação ocorreu fora do ambiente escolar, a secretaria de Saúde tem limitações de atuação. Ela relatou que essa não é uma ocorrência isolada e, que apesar dos avanços do município na Educação, a questão da segurança nas escolas ainda é um desafio da pasta. “Já tivemos casos de diretora agredida dentro de escola. Eu gostaria muito de um policiamento na porta das escolas.

Jurandir explicou que já fez ofício de solicitação ao Executivo para a criação da guarda municipal. “Acredito que vá resolver atuando nas escolas. Será de suma importância para o nosso município”. Ele também ressaltou a responsabilidade dos pais em impor limites por meio da educação. “A escola ensina a ler e a escrever, mas quem tem a responsabilidade de educar os filhos são os pais”, reforçou.