A manhã da última quinta-feira (27) foi diferente no Centro Comunitário do Concenza. Pais, educadores e moradores se reuniram para acompanhar a encenação de “O Reino das Crianças que Não Choram”, apresentada pelos alunos do Projeto Acolher, dentro da Oficina de Teatro Faz de Conta.
Idealizado por Eliane Nascimento, pedagoga com mais de uma década de experiência em teatro, o projeto surgiu em 2024, viabilizado pela Lei Paulo Gustavo e, posteriormente, pela Lei Aldir Blanc. A iniciativa foi criada especialmente para atender participantes do Projeto Acolher, e hoje reúne 24 crianças de 7 a 11 anos e 14 adolescentes de 12 a 14 anos, que frequentam as aulas três vezes por semana.
Segundo a secretária de Desenvolvimento Social, Michelli Fabiana, a oficina tem um propósito amplo e profundo. “O objetivo principal do Projeto Oficina de Teatro Faz de Conta é promover o desenvolvimento cognitivo e emocional dos participantes”, explica. A proposta também inclui estimular a criatividade e contribuir para a formação de valores éticos e de cidadania.
Michelli explica que a peça apresentada nasceu a partir de conversas e reflexões realizadas no Projeto, cujo foco deste ano é o tema dos sentimentos e das emoções. As rodas de diálogo e os jogos teatrais despertaram nos participantes a discussão sobre a importância de expressar o que se sente. Foi desse processo coletivo que surgiu o enredo de “O Reino das Crianças que Não Choram”.
No palco, a história apresenta um rei e uma rainha que proíbem o choro por considerá-lo sinal de fraqueza. O que eles não imaginam é que seus filhos e súditos choram em silêncio, vivendo sob o peso de reprimir emoções. Quando o rei descobre que o próprio herdeiro chorou, a narrativa se transforma. Aos poucos, todos percebem que o choro não é sinônimo de fragilidade — é libertação. “Não existe vida sem lágrimas, não existe vida sem sentir”, destaca Michelli, reforçando a mensagem central da montagem.
Para a secretária, a evolução das crianças e adolescentes ao longo da oficina é perceptível. “Percebemos em cada participante um crescimento pessoal e individual”, afirma. Alguns perderam a timidez, outros desenvolveram melhor as habilidades de comunicação e memorização, e muitos passaram a demonstrar maior interesse pelo teatro. A convivência também se transformou: “A socialização entre eles melhorou muito, o que vem ao encontro dos objetivos do Projeto Acolher de convivência e fortalecimento de vínculos”, completa.
O Projeto Acolher, coordenado por Flaviana Vieitas, é uma iniciativa da Prefeitura de Mateus Leme voltada ao apoio social, emocional e formativo de pessoas que necessitam de acompanhamento. As ações são planejadas para criar um ambiente seguro e humanizado, onde cada participante se sinta ouvido e respeitado. A oficina de teatro foi criada como mais uma frente para oferecer vivências culturais às crianças.
Esta foi a segunda apresentação pública da Oficina de Teatro Faz de Conta com os alunos do Acolher. No ano passado, o grupo encenou Os Saltimbancos, e alguns dos jovens atores retornaram aos palcos neste novo ciclo. A continuidade do trabalho tem permitido que o elenco amadureça o olhar artístico e explore novas possibilidades de expressão.






