Vazamentos em mina de Congonhas acendem alerta para risco de contaminação no Rio Paraopeba

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Vazamentos registrados em uma vertente da Mina de Viga, em Congonhas, acenderam o alerta ambiental nesta semana e mobilizaram órgãos de diferentes municípios da região metropolitana. Os episódios levaram ao reforço do monitoramento e à adoção de medidas preventivas, com atenção especial aos impactos que podem atingir cursos d’água que abastecem e atravessam cidades como Juatuba.

Na última segunda-feira (27), a equipe da Defesa Civil de Juatuba esteve em Congonhas visitando o local. “O objetivo foi acompanhar a situação no local, reunir informações técnicas iniciais e avaliar a dimensão dos possíveis impactos ambientais, além de alinhar procedimentos de resposta e prevenção”, relatou o coordenador da Defesa Civil de Juatuba, Antônio Carlos Teixeira.

A ação foi realizada em conjunto com outras instituições e com representantes da empresa Vale, na Mina de Viga. Segundo Antônio Cesar, os vazamentos geraram apreensão devido à possibilidade de contaminação de cursos d’água no município.  Entre eles estão o córrego Maria José, o Rio Maranhão e o Rio Paraopeba, todos pertencentes à mesma bacia hidrográfica.” Esses rios têm papel estratégico não apenas ambiental, mas também social e econômico, atendendo diversos municípios ao longo de seus cursos, incluindo Juatuba”, explicou Antônio Cesar.

Embora o problema tenha ocorrido fora dos limites territoriais de Juatuba, a situação é acompanhada de perto. O motivo é que o município “integra a bacia do Rio Paraopeba, que atravessa a cidade e é fundamental para a população”. “Qualquer alteração na qualidade da água ao longo da bacia pode trazer reflexos diretos para moradores, atividades produtivas e o meio ambiente local”, disse o coordenador da Defesa Civil.

Ao longo desta semana, as atenções se voltaram principalmente para medidas preventivas. Entre elas está a previsão de análises laboratoriais e estudos técnicos, que deverão ser realizados “em parceria com instituições públicas”. “O objetivo é verificar se houve eventual contaminação no Rio Paraopeba e avaliar possíveis riscos à saúde pública, ao meio ambiente e às comunidades ribeirinhas”, destacou o coordenador.

Vale é multada em R$1,7 milhão

No último domingo (25), dois incidentes ambientais ocorreram em unidades de mineração na região. O primeiro foi na Mina de Fábrica, localizada entre Congonhas e Ouro Preto, onde ocorreu o extravasamento de uma barragem de contenção de resíduos. Com o transbordamento, sedimentos foram liberados provocando turbidez em cursos d’água próximos.

No mesmo dia, em outra operação da mineradora, a Mina Viga, em Congonhas, um escorregamento de talude — que é a estrutura que contém o material da mina — também causou a liberação de sedimentos, gerando um problema ambiental semelhante ao primeiro caso, com impacto direto na qualidade da água local.

Na última quinta-feira (29), o governo de Minas Gerais anunciou, durante coletiva de imprensa, que aplicou uma multa de R$ 1,7 milhão à mineradora Vale e determinou a paralisação das operações das duas minas.