Agosto Lilás mobiliza Juatuba e Mateus Leme no combate à violência contra a mulher

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O mês de agosto é dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher, por meio da campanha da cor Lilás. A iniciativa busca alertar a sociedade sobre a importância de prevenir, denunciar e combater todo tipo de agressão física, psicológica, moral, patrimonial ou sexual contra a mulher.  

Em Juatuba e Mateus Leme, a mobilização vai muito além de palestras e atos simbólicos. A agenda envolve desde rodas de conversa e panfletagens em bairros periféricos até atendimentos psicológicos, jurídicos e programas de reeducação para agressores. As iniciativas buscam quebrar o ciclo da violência e fortalecer as redes de apoio às vítimas, envolvendo escolas, serviços de saúde, assistência social, órgãos de segurança e associações parceiras.

Em Mateus Leme, a Secretária de Desenvolvimento Social, Michelli Fabiana enfatiza que a campanha Agosto Lilás é trabalhada durante todo o ano no município. “As ações incluem acolhimento, rodas de conversa, palestras e campanhas de fortalecimento de vínculos com as vítimas e até grupos de amparo ao agressor, onde são abordados os motivos que conduzem à agressão, como evitar a violência e respeitar os direitos femininos”, explica a Secretária.

Os encontros são realizados no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e discutem temas como o fortalecimento dos vínculos familiares e sociais e a promoção da autonomia financeira das mulheres. Os tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha (física, psicológica, sexual, patrimonial e moral), o ciclo da violência doméstica e os impactos dessa violência sobre crianças e adolescentes que vivem nesse contexto também são abordados.

A secretária destaca que, além de proteger e amparar as vítimas, é fundamental trabalhar com o agressor. “Além do apoio à vítima de violência doméstica, acontece o projeto de escuta do agressor, em parceria com o Poder Judiciário, que trabalha com os agressores as questões que conduzem à violência doméstica, o fortalecimento das relações desgastadas e a possibilidade de viver em paz”, explica Michelli.

Apesar dos avanços, o município ainda enfrenta desafios. Casos graves continuam acontecendo, como o feminicídio registrado recentemente. Por questões de sigilo, os números detalhados não são divulgados, mas Michelli reforça que o objetivo é reduzir cada vez mais as ocorrências.

“Temos o anseio de criar um centro de enfrentamento à violência contra a mulher que ampare todas as agredidas e as famílias estigmatizadas pela violência. Buscamos, ao longo de nosso trabalho diário, mitigar os números de agressões, porém a dificuldade em manter e expandir o trabalho é dificultado por carência de verbas, como em toda política pública”, revela a secretária. “Devemos nos lembrar que qualquer mulher, inclusive trans, que seja vítima de violência deve ser protegida e construir uma nova mentalidade sobre este tipo de agressão”, completou.

A Central de Atendimento à Mulher atende pelo número 180 e pelo atendimento 24 h da Polícia Militar, 190. Vítimas de violência doméstica contam também o Disque Frida que funciona pelo whatsapp (31) 99296-1268.

Retranca

Caminhada, blitz e panfletagem integram as ações em Juatuba

Em Juatuba, a Secretaria de Assistência Social e a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) se uniram para desenvolver atividades em todo o município durante o Agosto Lilás.

Além de palestras no CRAS Centro, equipes percorrem bairros periféricos como Francelinos, Satélite, Boa Vista da Serra e Canaã, distribuindo panfletos e orientações.

Segundo a Secretária de Assistência Social, Joelísia Feitosa, o objetivo é levar a informação a quem mais precisa, muitas vezes em regiões onde o acesso aos serviços públicos é limitado.

Um dos pontos altos será o Ato e Caminhada do Agosto Lilás, no dia 20 (quarta-feira). O trajeto segue da Faculdade J. Andrade até a Praça dos Três Poderes, reunindo servidores públicos, associações parceiras, representantes da DEAM e moradores. No mesmo dia, haverá uma blitz educativa.

De acordo com Joelísia, a rede de atendimento no município oferece acolhimento psicológico nas Unidades Básicas de Saúde. “As vítimas poderão ser encaminhadas para quaisquer equipamentos, como própria DEAM, ou para a assistência social. Elas também poderão receber acompanhamento jurídico, no Centro Administrativo”.

Segundo registros do Relatório Mensal de Atendimento (RMA), entre 2021 e julho de 2025, 58 mulheres foram acompanhadas oficialmente pelo CREAS. De acordo titular da DEAM de Juatuba, em 2024, foram instaurados 110 inquéritos policiais de violência doméstica e solicitadas 157 medidas protetivas. Neste ano, até o dia 31 de julho, já foram instaurados 104 inquéritos e solicitadas 96 medidas protetivas. Desde a criação da DEAM no município, em 2023, foram registrados dois casos de feminicídio, sendo um consumado e uma tentativa.

Segundo Joelísia, Juatuba também investe em ações educativas nas escolas municipais. “Os temas violência de gênero e doméstica são trabalhados de forma adaptada a cada faixa etária, para que crianças e adolescentes compreendam conceitos como respeito, igualdade e convivência saudável sem exposição a conteúdos inadequados”, revela.

Outro avanço em Juatuba é a capacitação contínua de profissionais da educação, saúde e assistência social para identificar sinais de violência e saber como agir em cada caso. “Esse processo faz parte da construção de um fluxograma de atendimento às vítimas, que inclui a identificação da situação de violência, a escuta qualificada e registro, além da avaliação de risco e encaminhamentos adequados para proteção e acompanhamento”, detalha.  

A delegada Dra. Raquel, enfatizou a importância de conhecer e utilizar os canais de denúncia. Além dos números nacionais e estaduais como a Central de Atendimento à Mulher, pelo Número 180 e pelo atendimento 24 h da polícia Militar, 190, vítimas de violência doméstica contam também o Disque Frida. O canal virtual da Polícia Civil, funciona pelo whatsapp (31) 99296-1268.