Cavalo maltratado reacende debate sobre abandono de animais nos municípios

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O abandono e os maus-tratos de animais continuam sendo uma realidade que gera indignação, sofrimento e alerta. No começo de 2026, um episódio envolvendo um cavalo em situação de maus-tratos, em Mateus Leme, comoveu moradores da cidade. O animal foi encontrado debilitado, com feridas e sinais de abandono. Em conversa com o veterinário responsável pelo resgate, Dr. Ivens Campos, ele relatou que o caso não era novo. “Este cavalo já havia chegado para eu atender durante uma ocorrência ano passado. Atendi ele na rua, mediquei. Nesses dias chegaram para mim vídeos dele e eu vi que era o mesmo animal”, contou.

Segundo o veterinário, o animal permaneceu em situação de abandono por dias e, sem cuidados adequados, o estado de saúde dele se agravou. Sensibilizado, o veterinário decidiu intervir novamente. “Fiquei sensibilizado e fiz o mesmo, só que agora corri atrás de pessoas para adoção”, relatou. O desfecho foi positivo graças à mobilização de apoiadores. A vereadora Irene ajudou com os custos de transporte, assim como Riquinho, conhecido na cidade. A adoção ficou sob responsabilidade de Simone Drumond. “Ela está arcando com todos os gastos”, destacou.

O responsável anterior pelo cavalo chegou a ser identificado e orientado. De acordo com o veterinário, houve tentativa de conscientização, mas sem resultado. “Foi dado orientações para o antigo tutor do animal, só que escutou com um ouvido e saiu pelo outro”, afirmou, ao comentar a reincidência do caso.

Apesar das marcas deixadas pelo sofrimento, a perspectiva agora é de uma vida melhor para o animal. “Esse cavalo agora vai ter o resto de vida digna. Os cuidados com as feridas vão ser 100% curadas, parasitas também, só que as marcas de maus-tratos ainda vão continuar”, explicou.

“O custo para manter um animal de grande porte em condições adequadas é alto, em média R$1000 mensais”, detalhou o veterinário que arcou com todos os medicamentos.

Segundo ele, apesar de vários casos envolvendo animais de grande porte, o volume maior de ocorrências envolve animais de pequeno porte. Ele destaca ainda que o principal entrave no combate a esse tipo de crime é a ausência de um órgão de fiscalização municipal para a aplicação de leis rigorosas.