Entre pincéis, linhas, cabaças e peças de biscuit, a professora e artesã Luzia Silva construiu uma trajetória marcada pela criatividade, pelo acolhimento e pela vontade de compartilhar conhecimento. Aos 42 anos, ela divide a rotina entre a educação inclusiva e a produção artesanal.
Natural de Piabetá, distrito do Magé, no Rio de Janeiro, Luzia se mudou com a família para Juatuba, aos oito anos. O ano era 1992, quando a cidade ainda fazia parte de Mateus Leme. “Eu cresci praticamente aqui, em Juatuba e Mateus Leme. Foi aqui que construí minha vida”, conta.
Formada em pedagogia e pós-graduada em educação especial, Luzia atua como professora de inclusão na rede municipal de Mateus Leme há três anos. Atualmente, trabalha na Escola Municipal Geny Guimarães de Oliveira, acompanhando alunos e ajudando no desenvolvimento educacional de crianças atípicas. Neste mês de maio, ela também conclui a graduação em Artes, unindo ainda mais duas paixões que sempre caminharam juntas em sua vida: ensinar e criar.
Apesar da ligação antiga com o artesanato, ela afirma que o maior incentivo veio da ex-sogra, figura importante no início da trajetória artística. “Ela me ajudou muito e me incentivou em tudo que eu sei até hoje”, relembra.
Com o passar dos anos, Luzia aprendeu diferentes técnicas e nunca deixou de buscar novos conhecimentos. Hoje, trabalha com cerâmica, bordados, reciclagem e biscuit, técnica que se tornou sua principal marca. “O meu forte é o biscuit, mas eu gosto muito de artesanato em geral. Estou sempre aprendendo e inovando”, diz.
Para ela, o artesanato se tornou uma forma de expressão pessoal e, cada peça carrega um significado especial. “Não tenho como pontuar um trabalho mais marcante. Tudo que eu faço é especial para mim. Tudo me marca, porque tudo eu produzo com carinho.”
Entre as peças que mais representam sua identidade artística está a tradicional galinha de cabaça. O item artesanal é bastante ligado à cultura popular e ao trabalho manual com elementos recicláveis e naturais. “A galinha de cabaça é a peça que mais me representa e que representa também a região. Eu gosto muito de produzir ela”, afirma.
Mesmo conciliando a produção artesanal com a rotina na educação, Luzia encontra tempo nos finais de semana e feriados para criar novas peças. As vendas acontecem principalmente pelo WhatsApp, Instagram e entre amigos e conhecidos.
Embora já tenha participado de feiras em Juatuba, ela conta que ainda está começando a divulgar o trabalho em Mateus Leme. Neste fim de semana, pretende expor as peças na feira da cidade para apresentar a arte a um público maior. “A prefeitura ainda não conhece muito o meu trabalho, porque eu nunca divulguei muito aqui. Mostro mais na escola e para as pessoas que conheço”, explica.
Para o futuro, Luzia tem planos. “Gostaria de ter um espaço para ensinar minha arte para todas as pessoas, passar meu conhecimento para frente. A gente nunca pode guardar o que sabe só para si”, destaca.
Para ela, a arte também tem um papel social e ambiental. Por isso, faz questão de incentivar o reaproveitamento de materiais e o olhar criativo para o cotidiano. “A arte é tudo. A gente sempre deve reciclar e transformar aquilo que temos no nosso dia a dia”, reflete.
Interessados em conhecer seu trabalho ou fazer pedidos, podem entrar em contato diretamente com a artesã pelo telefone (31) 98719-8771.






