Aos 20 anos, a atleta mateus-lemense Cláudia Gomes já coleciona títulos importantes no Muay Thai e se firma como um dos nomes promissores da modalidade em Minas Gerais. Campeã mineira de Muay Thai da WBC na categoria classe C 55 kg e, também, campeã brasileira da modalidade, ela agora intensifica a preparação para o Campeonato Brasileiro de 2027.
Natural de Belo Horizonte, Cláudia vive em Mateus Leme desde os cinco anos. Segundo ela, a família sempre foi o alicerce para enfrentar os desafios do esporte de alto rendimento.
“Meus pais, Lúcia e Gilberto, e meus irmãos, Fabiana, Daniele, Lincoln e Phelipe são minha base. O apoio deles é o que me permite focar 100% no tatame, sabendo que tenho para onde voltar e recarregar as energias”, afirma.
A relação com o esporte começou cedo, ainda na infância, quando brincadeiras de rua e atividades físicas já faziam parte da rotina. Mas foi apenas aos 17 anos que ela conheceu o Muay Thai.
“O que me motivou foi a busca por autoconfiança e disciplina. Nunca vi o esporte como ‘masculino’, mas sim como um desafio de superação pessoal”, conta.
Desde então, a jovem passou a mergulhar intensamente na modalidade. Atualmente, sua rotina na academia Elefight/Equipe Golden Camp envolve quatro treinos diários, com foco em técnica, resistência e sparing – simulação de luta real. Para ela, alcançar o nível profissional exige dedicação total.
“Entendi que o treino sozinho não basta”, destaca a atleta. “Apreparação também envolve alimentação, recuperação física e equilíbrio mental”.
Cláudia também reconhece a importância das pessoas que acreditaram nela desde o início da caminhada. O treinador Paulo Duarte teve papel decisivo nesse processo.
“No começo, o apoio do meu treinador Paulo Duarte foi crucial. Ele enxergou potencial em mim antes mesmo de eu enxergar”, relembra.
No cenário nacional, ela se inspira em nomes femininos de destaque no Muay Thai, como Allycia e Barbara Aguiar, atletas que abriram espaço para mulheres no esporte de combate.
“Eles mostraram que é possível ser técnica, agressiva e respeitada mundialmente”, afirma.
Mesmo com o crescimento da participação feminina nas artes marciais, Cláudia revela que ainda enfrenta preconceitos e julgamentos. Porém, escolheu responder da melhor forma possível: dentro do ringue.
“Às vezes existe um olhar de desconfiança. Mas respondo a isso com resultados. Quando entro no ringue e mostro meu trabalho, a desconfiança vira respeito”, diz.
O sonho de conquistas internacionais
A conquista do Campeonato Mineiro teve um significado especial para a lutadora. Além do alto nível técnico da competição, o fator emocional tornou o desafio ainda maior. “O Mineiro foi o mais difícil. O nível técnico estava altíssimo e a pressão psicológica foi o maior adversário”, lembra.
Ainda assim, a vitória em solo mineiro ficou marcada como um dos momentos mais importantes de sua trajetória. “Vencer o Campeonato Mineiro em Minas foi mágico. Sentir a energia da nossa gente e ver o fruto do trabalho sendo colhido em casa traz uma sensação de dever cumprido sem igual”, relata.
Agora, o foco está totalmente voltado para o Campeonato Brasileiro de 2027. A preparação já começou e inclui aumento da carga de resistência e aperfeiçoamento técnico. “O objetivo não é apenas participar, mas chegar na minha melhor versão física e mental”, afirma.
Mas os sonhos de Cláudia vão além das fronteiras nacionais. Ela deseja levar o nome de Mateus Leme para competições internacionais e sonha em lutar na Tailândia, considerada o berço mundial do Muay Thai. “O Mundial na Tailândia é o sonho de consumo de qualquer praticante de Muay Thai. Beber direto da fonte, no berço do esporte, seria um aprendizado incrível”, destaca.
Mais do que colecionar títulos, Cláudia quer inspirar outras meninas da região a acreditarem em si mesmas. “Representar Mateus Leme é uma honra. Saber que meninas da minha região me olham e pensam ‘eu também posso’ é o que dá sentido a cada gota de suor”, conclui.






