Há mais de três décadas, o Centro de Libertação de Vidas (CELIVI), se tornou um dos pilares da luta contra a dependência química no município de Juatuba. Fundado com a missão de “recuperar vidas, restaurar valores e mudar histórias”, o CELIVI tem sido um refúgio de esperança para centenas de pessoas que enfrentam o duro caminho da recuperação do vício em drogas e álcool.
Criado há 34 anos, o CELIVI surgiu da iniciativa de líderes religiosos e voluntários preocupados com o aumento da marginalização social e os impactos da dependência química na cidade. Com uma proposta baseada em acolhimento, espiritualidade e reintegração, o centro é mantido hoje com o apoio de parceiros, voluntários e da comunidade.
A atual diretoria é composta pelo presidente Pastor Lúcio Tancredo, pelo vice-presidente Saulo Pimenta, além de um conselho consultivo e administrativo. Entre os profissionais contratados estão uma psicóloga, um psicanalista, uma assistente social, uma enfermeira, dois motoristas, um cozinheiro, quatro auxiliares de serviços gerais e um administrativo. Além deles, o espaço também conta com trabalho voluntário e com os próprios acolhidos nas atividades internas.
Os acolhidos também participam de ações comunitárias voluntárias, como a limpeza do cemitério municipal, da pista de caminhada e do ginásio poliesportivo, demonstrando gratidão pelo apoio da cidade.
Segundo o gerente administrativo Pastor Gilson Santos, o centro abriga 35 acolhidos, com idades entre 18 e 59 anos. Todos os pacientes são do sexto masculino em tratamento contra o alcoolismo e a dependência química. “O tempo médio de permanência para a recuperação gira entre seis e nove meses, mas há casos de reinternação, uma realidade comum nos processos de reabilitação”, explicou.

Apoio para a reintegração
A abordagem do CELIVI é multidisciplinar e inclui atividades espirituais diárias. “Temos cultos, além de terapias ocupacionais, oficinas, cuidados com a saúde e reintegração social”, detalhou o pastor. O centro oferece ainda cursos profissionalizantes, como corte de cabelo e manipulação de alimentos, contribuindo para a autonomia e a inclusão social dos recuperandos.
O trabalho do CELIVI vai além dos muros da instituição. Em parceria com a Prefeitura de Juatuba, o centro atua junto aos serviços do CREAS e CRAS, promovendo reintegração familiar, emissão de documentos, exames médicos e apoio psicológico. O projeto “Volta à Vida” é exemplo disso: ele resgata pessoas em situação de rua, proporcionando a elas um novo começo.
“A atuação do CELIVI tem impacto direto na redução da violência, da população de rua e do consumo de drogas na cidade, colaborando com políticas públicas de inclusão social”, disse Gilson Santos.
Recursos
Com um custo mensal estimado em R$ 29 mil, o CELIVI é mantido por meio de doações da comunidade, parcerias com a Prefeitura, a Igreja Batista do Avivamento e apoios políticos. Nesta semana, a instituição recebeu a visita do deputado federal Diego Andrade, que destinou recursos para reforma da academia, construção de um campo de futebol gramado e outras melhorias no espaço.
Entre os apoiadores também está a empresa Paraíso, que contribuiu com a doação de 271m² de grama para o paisagismo do espaço. Essa doação foi articulada por Luiz Fabiano, conhecido como Mirim, ex-acolhido do CELIVI que hoje atua como voluntário.
Segundo o Pastor Gilson, a comunidade pode contribuir com o CELIVI de várias formas: doações em dinheiro, alimentos, roupas masculinas e também trabalho voluntário. As contribuições podem ser feitas pelo telefone (31) 98599-7909. Há ainda campanhas permanentes de arrecadação, que ajudam a manter a estrutura em funcionamento.
Reconhecimento
O trabalho do CELIVI já recebeu reconhecimento público. O presidente e fundador, Pastor Lúcio Tancredo, foi homenageado com o título de Cidadão Honorário de Juatuba, em reconhecimento à sua dedicação e ao impacto social positivo gerado pela instituição ao longo de mais de três décadas.
Entre os inúmeros testemunhos de transformação, destaca-se a trajetória do próprio Pastor Gilson. Ex-goleiro profissional e campeão pelo América Futebol Clube, ele perdeu tudo devido à dependência química. Foi acolhido pelo centro após o convite de uma missionária, que mais tarde se tornaria sua esposa. Hoje, com 15 anos de sobriedade, Gilson dedica sua vida ao acolhimento de novos internos:
“Cremos que a recuperação é possível, e só um milagre de Deus pode transformar essas vidas. Eu sou prova viva disso. Hoje sou casado, tenho minha casa e estou reconstruindo a minha história”, declarou emocionado.
Outro exemplo inspirador é o de Luiz Fabiano (Mirim), que passou pelo CELIVI há mais de 20 anos. Após seis meses de internação, ele recomeçou sua vida e agora colabora como voluntário, angariando recursos e ajudando nas melhorias do centro. “Tenho muita gratidão pelo CELIVI e pela família Andrade que me ajudou naquele período. Tudo o que eu puder fazer para ajudar a instituição, estou disposto, pois foi ali que minha vida foi transformada”, declarou.
Para celebrar essas histórias, manter a conexão e inspirar os internos que ainda travam uma batalha contra a dependência química, o CELIVI realiza periodicamente encontros com ex-acolhidos. O próximo será no dia 7 de setembro. “Iremos realizar um encontro de ex-acolhidos que alcançaram a recuperação, celebrando as vitórias individuais e coletivas de uma jornada marcada pela superação”, contou Gilson.






