Maioria dos mineiros ainda não sabe em quem votar e eleição para o governo está aberta 

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Mesmo com um nome à frente nas pesquisas, a disputa pelo governo de Minas Gerais em 2026 está longe de qualquer definição. O dado que mais chama atenção não é quem lidera — mas sim o tamanho da dúvida do eleitor: cerca de 70% dos mineiros ainda não decidiram em quem votar. 

Levantamento do instituto DATATEMPO mostra que, no cenário espontâneo — quando nenhum nome é apresentado ao entrevistado — 70,6% dos eleitores não sabem ou não responderam. O número revela um cenário ainda embrionário e altamente volátil, onde qualquer movimentação política pode mudar o rumo da eleição. 

Entre os poucos que já apontam preferência, o ex-governador Romeu Zema aparece com 7,8%, mesmo sem poder disputar o cargo. O senador Cleitinho Azevedo surge em seguida, com 6,1%. Já Rodrigo Pacheco registra 1,3%. Outros nomes, como Nikolas Ferreira e Alexandre Kalil, aparecem com 1,1% cada. 

Nos cenários estimulados — quando os nomes são apresentados aos eleitores — Cleitinho lidera em todas as simulações de primeiro turno, com índices que variam entre cerca de 25% e 30%. Em um dos cenários, Aécio Neves aparece como principal adversário, seguido por Kalil. Apesar disso, os números ainda mostram uma distância considerável entre o líder e um eleitorado majoritariamente indeciso, o que reduz o peso dessa vantagem neste momento. 

Outros nomes também aparecem na disputa, como Mateus Simões, Maria da Consolação e Gabriel Azevedo, mas todos ainda com percentuais baixos. Para especialistas, o alto índice de indecisos indica que a corrida eleitoral ainda está no início e que os candidatos ainda não conseguiram se consolidar junto ao eleitorado. 

A cientista política Audrey Dias, responsável pelo levantamento, avalia que o cenário é mais indefinido até mesmo do que a disputa presidencial neste momento. Segundo ela, a baixa lembrança espontânea dos candidatos mostra que a maioria ainda não está conectada com o debate eleitoral. 

O levantamento também simulou possíveis cenários de segundo turno. Neles, Cleitinho aparece à frente em todos os confrontos testados, vencendo adversários como Kalil, Mateus Simões e Rodrigo Pacheco. Mesmo assim, especialistas alertam que esse tipo de projeção deve ser visto com cautela, justamente por causa do alto índice de indecisão. 

Com seis meses até a eleição, o retrato atual aponta menos para uma disputa definida e mais para um jogo aberto. Com sete em cada dez eleitores ainda sem candidato, a tendência é de que alianças, campanhas e debates tenham peso decisivo na reta final. Na prática, o cenário hoje é claro: existe um líder, mas ainda não existe uma eleição definida.