Defesa Civil interdita obra da Copasa em Juatuba por risco de esgoto sem tratamento atingir Rio Paraopeba

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A Defesa Civil de Juatuba interditou uma obra da Copasa no bairro Cidade Satélite após identificar possíveis riscos ambientais e à segurança da população. A intervenção acontece na Rua Murilo de Andrade, onde está sendo implantada uma estação elevatória de esgoto. Segundo o órgão, a decisão foi tomada de forma preventiva e os trabalhos permanecem suspensos até a conclusão de análises técnicas por parte dos órgãos competentes.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Antônio César Teixeira, a interdição foi motivada pela possibilidade de impactos diretos ao meio ambiente e aos moradores da região. “A medida foi adotada de forma preventiva diante da possibilidade de danos ambientais e riscos diretos à população”, afirmou. Segundo ele, a principal preocupação está no funcionamento do sistema previsto para a unidade, que depende de bombeamento elétrico.

A Defesa Civil aponta que, em caso de interrupção no fornecimento de energia, existe a possibilidade de extravasamento de esgoto sem tratamento. “O sistema previsto depende de bombeamento elétrico e, em caso de falta de energia, há possibilidade de extravasamento de esgoto sem tratamento com potencial de atingir o Rio Paraopeba”, explicou o coordenador. A informação foi confirmada durante reunião técnica realizada no escritório da companhia, com a participação do engenheiro Mauro Marufuji.

Diante desse cenário, o órgão municipal determinou o embargo imediato da obra. O objetivo, segundo a Defesa Civil, é permitir uma análise mais detalhada antes da continuidade da implantação. “Os trabalhos permanecem suspensos até a conclusão de análises por parte dos órgãos competentes, que deverão emitir parecer técnico definitivo”, disse Antônio César Teixeira.

Durante a vistoria, foram apresentados documentos indicando dispensa de licenciamento ambiental, incluindo declaração do órgão municipal e certidão do Governo de Minas Gerais apontando que a atividade não seria passível de licenciamento. Mesmo assim, a Defesa Civil entende que o caso exige uma avaliação mais cuidadosa. “Embora tenham sido apresentados documentos de dispensa de licenciamento, consideramos que o cenário exige avaliação mais rigorosa devido ao potencial impacto ambiental”, afirmou o coordenador.

Outro ponto destacado é a localização da obra, que fica dentro da mancha de inundação do Rio Paraopeba. Em períodos de cheia, o nível da água pode alcançar a estrutura. “A obra está situada em área de inundação e, em caso de cheia, o risco de contaminação ambiental e sanitária aumenta”, explicou.

A situação também preocupa moradores do bairro Cidade Satélite. Parte da comunidade utiliza a via onde ocorre a intervenção como rota de saída durante alagamentos. Com a obra no local, a vulnerabilidade aumenta. Além disso, a Defesa Civil alerta para o risco de acidentes elétricos caso a área fique alagada. “Há possibilidade de circulação de pessoas em áreas inundadas e a presença de estruturas energizadas amplia o perigo”, destacou o coordenador.

O relatório técnico elaborado pela Defesa Civil será encaminhado ao Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), à Secretaria de Meio Ambiente e ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba. A recomendação é que os órgãos atuem de forma integrada para avaliar os riscos e definir as medidas necessárias.

A Defesa Civil reforça que o objetivo da interdição é garantir a segurança da população e evitar impactos ambientais. Moradores podem acionar o órgão pelo telefone (31) 3535-5668, pelos WhatsApps (31) 99296-1078 e (31) 97306-0104, ou em emergências pelo número 199. A orientação é comunicar qualquer situação de risco, principalmente em períodos de chuva intensa.