Desaparecimento de Alex completa três meses sem avanços nas investigações: grupo adia inauguração para abril

0
144

Três meses de silêncio. É assim que a mãe Simone Macieira resume a angústia vivida desde o desaparecimento do filho, Alex Macieira, visto pela última vez no dia 24 de dezembro. Nesta semana, completa 90 dias sem respostas e, segundo ela, sem avanços nas investigações.

“Eu tenho ido todas as semanas na polícia. Eles não ouviram ninguém até hoje, não deram andamento em nada”, relata Simone. “Estou indignada, estou adoecendo sem resposta. Eu chego na delegacia e é como se eu não existisse”, desabafa.

A dor de Simone, no entanto, é também vivida por várias famílias da região. Desde que decidiu transformar o sofrimento em mobilização, outras mães e familiares começaram a procurá-la em busca de apoio. Muitos enfrentam situações semelhantes, seja com desaparecimentos ou com o medo de perder filhos para o caminho das drogas.

“Estamos recebendo uma grande demanda de pessoas que também buscam por informações”, conta. Segundo ela, o grupo também tem sido procurado por famílias que querem orientação para ajudar adolescentes em situação de risco. “Criamos o grupo para buscar respostas, mas muitos também encontram em nossa mobilização a esperança de prevenir novas histórias de dor”, relata.

Os números reforçam a preocupação. De acordo com dados repassados pela Polícia Militar e citados por Simone, entre novembro e agora, foram registrados 10 casos de desaparecimento em Juatuba e 19 em Mateus Leme. No entanto, ela faz um alerta: “Há possibilidade de não ser o número real, porque muitas pessoas fazem o boletim e, quando encontram o familiar, não retiram a queixa. Mesmo assim, o número assusta”, diz.

Mais de 60 voluntários

Previsto para inaugurar no dia 25 de março, a inauguração foi adiada para o início de abril, devido a questões familiares de Simone. No entanto, o crescimento da demanda e a adesão de voluntários têm chamado atenção. O grupo já é considerado um sucesso antes mesmo de abrir as portas.

Ao todo, são 64 voluntários de diversas áreas: 13 pedagogos e professores, oito advogados, cinco psicólogos, além de microempresários, profissionais da saúde, assistência social, comunicação e outros segmentos. “Esses profissionais são todos voluntários. E os microempresários também vão nos ajudar com doações quando necessário. Será um grupo que vai fazer muito barulho pela causa”, afirma Simone.

A sede já está estruturada, com telefone disponível e equipe de recepção organizada em parceria com o clube Estrela Mirim. Há também uma listagem inicial de pessoas desaparecidas, o que deve facilitar o trabalho de acolhimento e encaminhamento dos casos.

A mobilização tem atraído, inclusive, o interesse da mídia. Simone já agendou entrevistas em duas rádios para o dia 24, data que marca os três meses do desaparecimento de Alex. “Até hoje ninguém foi ouvido, ninguém foi chamado. Isso revolta”, desabafa.

Relembre o caso

Ex-secretária de Assistência Social de Mateus Leme, Simone Macieira deu início ao movimento após o desaparecimento do filho. Alex foi visto pela última vez no dia 24 de dezembro. Desde então, uma série de informações desencontradas surgiram — relatos de que ele estaria pelas ruas, de que teria se envolvido em brigas ou até sido ferido. Nada foi confirmado oficialmente.

Com o passar do tempo, surgiu a informação de que Alex poderia ter sido executado pelo tráfico no bairro Bom Jesus. Até hoje, no entanto, não há confirmação e nem avanço nas investigações.