Lideranças realizam manifestação contra empréstimo de R$25 Milhões e cobram melhorias em toda cidade

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Diversos grupos se uniram no início desta semana, com um o objetivo manifestar contrários acerca da aprovação dos R$25 milhões de empréstimo aprovado pela Câmara recentemente. Além disso, pessoas da Ocupação Santa Fé e outras regiões, pediram a regularização fundiária nas comunidades ocupadas e cobraram melhorias na infraestrutura, saúde e educação em Juatuba.

Placas e cartazes com frases de efeito, como: “E aí vereadores, felizes com o empréstimo”; “Cadê o dinheiro dos nossos impostos”; “Cadê o respeito com a população” e “Saúde, água e luz para Ocupação Santa Fé”, tomaram conta das ruas.

A concentração começou próximo à Faculdade J Andrade, bem na entrada da cidade, com o objetivo de chamar atenção de quem passava pela rodovia ou pela entrada do município. Representantes de comunidades atingidas pelo rompimento da barragem de brumadinho na cidade e de movimentos, como o MAB e Por uma Juatuba Melhor, reuniram famílias exigindo qualidade e transparência na prestação dos serviços públicos de educação, saúde, segurança e infraestrutura.

O grupo saiu em passeata da faculdade e seguiu até o prédio da prefeitura. Os manifestantes tentaram entregar um ofício com as reivindicações ao prefeito Adônis Pereira, no entanto, ele não recebeu as lideranças. O documento precisou ser entregue e protocolado pela secretaria do gabinete.

Reivindicações

Durante a manifestação, o grupo cobrou mais transparência e exercício do controle social previsto no Sistema Único de Saúde; cobrou também esclarecimentos acerca das providências que serão tomadas pela prefeitura e setores responsáveis considerando a convivência da população com a poeira e a lama ainda existente no município devido às últimas enchentes.

Já no quesito infraestrutura, os manifestantes pediram a ampliação da rede elétrica em todo município, bem como a melhoria da rede existente. Solicitaram também o fornecimento temporário de energia elétrica para a Ocupação Santa Fé, que tem todos imóveis irregulares devido à ausência de registro definitivo. A ampliação das redes de esgotamento sanitário, de abastecimento de água e de coleta de lixo também foi um tema bastante cobrado, já que a toda semana são registradas novas reclamações contra a COPASA. As lideranças cobraram também acerca da utilização dos recursos do empréstimo realizado pelo município com a Caixa Econômica Federal para ao asfaltamento de ruas nas comunidades, além de mais transparência na gestão do recurso proveniente do empréstimo de 25 milhões, concedido para prefeitura.

A segurança e educação também foram pautados, segundo as lideranças, falta iniciativas de fortalecimento aos dispositivos de segurança pública no município, garantindo que a população possa exercer seu direito de cidadania, trabalho e lazer com tranquilidade.  Já acerca da educação a maioria solicitou a ampliação da rede de educação básica, com isso a construção de novas creches para atender a demanda existente na cidade.

Um ponto importante destacado pelos manifestantes e que tocou inclusive quem participou da iniciativa foi o clamor por água de qualidade. Eles cobram a construção, ampliação e reparação da infraestrutura para abastecimento de água no município, além da regularização do fornecimento emergencial de água quando ela vier a faltar, o que segundo eles ocorrem com frequência.

Manifesto

As lideranças aproveitaram o dia para entregar também um manifesto ao presidente da Câmara, Ted Saliba, cobrando as melhorias propostas pelas lideranças e que foram lavradas e indicadas na própria Consulta Popular realizada para determinar as prioridades de obras, intervenções e recursos destinados à Juatuba, por meio do acordo com a Vale, pelo desastre que atingiu Brumadinho e região.

Durante a entrega do documento na Câmara, diversos manifestantes mostraram indignação pelo “desprezo do chefe do executivo municipal”. “Eu me senti como um lixo ou uma pessoa qualquer que não é do município de Juatuba. A gente está a tarde inteira no sol, reivindicando e lutando pelos básicos dos nossos direitos e o prefeito fala que não pode receber o nosso pedido”, declarou Wérika Gonçalves, moradora da comunidade de Ponte Nova. 

As lideranças exigiram ainda duas atividades com os poderes do município, uma agenda de reuniões com prefeitura e secretarias responsáveis por cada demanda específica pontuada no ofício e uma audiência pública para garantia da participação popular junto aos órgãos públicos responsáveis nas discussões, propostas e deliberações a respeito dos pontos reivindicados no ofício.

“Pautas genéricas”

Durante a leitura do manifesto na reunião da Câmara desta semana, alguns vereadores destacaram que “ele foi feito de maneira genérica”, abrangendo diversos pontos, não explicando exatamente qual ponto tratar.

“Em várias dessas reivindicações nós temos uma atuação, inclusive na questão da Copasa, onde conseguimos uma obra de R$78 milhões. O que não pode é parecer que estamos inertes, a gente reconhece as dificuldades e a má prestação de serviço, mas estamos atuando”, disse Láécio do Silvestre.

O vereador pontua ainda que as lideranças devem pautar o assunto de reivindicação não colocar em um pacote, como se as intervenções não tivessem ocorrendo. “Outra coisa que temos que ter cuidado é com relação aos recursos da Vale, pode ser que não esteja ocorrendo da forma que a população espera, mas está ocorrendo, mas não podemos cometer a injustiça de colocar todo mundo no mesmo balaio. Eu não posso admitir é essa forma genérica que foi colocada, pois dessa forma, parece que está todo mundo dormindo aqui”, completou.

O presidente da Câmara, Ted Saliba, pontuou que a comunidade está cobrando mais clareza na destinação de recursos e das obras, o que não tem sido colocado de forma transparente pelo poder executivo municipal. “Sabemos da nossa luta e dos nossos esforços em todos os seguimentos, mas o que a população cobra é mais clareza. Vamos encaminhar esse requerimento, aguardar as respostas e convocar uma audiência pública, para dialogar com a população”, pondera Ted.

Marcos Leiturista, fez coro à fala de Laécio e frisou o trabalho desempenhado na segurança pública e pelos servidores da Copasa. “Sabemos de todas as dificuldades, mas não podemos ser injustos com relação ao trabalho desempenhado pela Polícia Militar em nosso município, que tem o índice mais baixo de criminalidade da Região Metropolitana de BH. Outro ponto a destacar é o trabalho desempenhado pelos servidores da Copasa, que muitas das vezes trabalham dia e noite para oferecer o melhor serviço à comunidade, mesmo que ele precise de melhoras”.

Moção de agradecimento

A discussão acabou resultando em uma moção de agradecimento aos profissionais da segurança pública de Juatuba. A proposta foi feita pelos vereadores Marcos Leiturista e Laécio do Silvestre. Ambos sugeriram a entrega da moção ao responsável pelo 3º Pelotão da Polícia Militar de Juatuba, e também ao delegado responsável pela Polícia Civil do município. De acordo com os parlamentares, a cidade tem uma das menores taxas de criminalidade da região, resultado conquistado devido ao serviço prestado pelas corporações, “que trabalham dia e noite pela segurança da população, e muitas das vezes não recebem, conforme realmente merecem”.

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